Pesquisador estuda as contribuições do NeuroMat para a ciência aberta

jean_carlos_-_open_science_researcher
Pesquisador Jean Carlos Ferreira, durante visita ao NeuroMat. Crédito: Wikimedia Commons/CEPID NeuroMat, CC BY-SA 4.0

Por Marília Carrera

Não é raro encontrar o pesquisador Jean Carlos Ferreira pelos corredores do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat). Mestre em Política Científica e Tecnológica no Instituto de Geociência da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Jean Carlos realiza pesquisa etnográfica sobre o NeuroMat para o doutorado também em Política Científica e Tecnológica.

Desde a graduação em Ciências da Informação e da Documentação e Biblioteconomia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), temas relacionados a ciência aberta, conhecimento aberto e Internet sempre chamaram a atenção de Jean Carlos. “A ciência aberta institui novas práticas para divulgar o conhecimento para além da comunidade científica. Estas novas práticas modificam a forma como o conhecimento é acessado, entendido e produzidos pela sociedade”, afirma Jean Carlos que explica que a ciência aberta é um conceito anterior à Internet, mas atualmente envolve principalmente o acesso aberto aos artigos acadêmicos, às métricas de avaliação e aos dados de pesquisa, o uso de ferramentas como redes sociais e outras tecnologias 2.0 e o avanço de infraestrutura como o desenvolvimento de softwares livres softwares livres, repositórios de dados e redes de computadores.

Depois de abordar o uso da licença Creative Commons em projetos culturais em seu trabalho de conclusão de curso e o debate sobre acesso aberto em sua dissertação de mestrado, Jean Carlos dedica o doutorado a entender como elementos trazidos pela Internet como cultura livre, cultura hacker e tecnologia livre são usados na produção científica. O primeiro passo de Jean Carlos ao iniciar o doutorado foi conhecer diferentes laboratórios localizados em Campinas (SP) e em São Paulo (SP), que tratavam a ciência aberta de maneiras distintas. Entre os locais visitados por Jean Carlos estão o Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o Structural Genomics Consortion da UNICAMP, o Clube de Biologia Sintética do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, além do próprio NeuroMat. “Como temos um tempo maior para elaborar a pesquisa no doutorado, passei a frequentar diferentes espaços acadêmicos que promoviam o debate sobre a ciência aberta. Precisava entender como os laboratórios faziam a interface entre ciência e sociedade por meios da tecnologia”, afirma Jean Carlos.

Entre os fatores que levaram Jean Carlos a escolher o NeuroMat estão a interdisciplinaridade e a proposta de implementar a ciência aberta na difusão científica. “O NeuroMat conta com diferentes pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento. Quero entender como eles fazem uso da ciência aberta em seus trabalhos”, afirma Jean Carlos. “FAPESP não tem uma política explícita que incentive a prática da ciência aberta, mas o NeuroMat tem o compromisso de usar as tecnologias livres como a Wikipédia para fazer a difusão científica. Pretendo consultar um especialista da FAPESP para saber qual a opinião da agência de fomento sobre o assunto”, acrescenta o pesquisador que conheceu o NeuroMat por meio do artigo Em Defesa do Compartilhamento Público de Dados Científicos publicado pelos pesquisadores do laboratório Claudia Domingues Vargas e Fabio Kon no Le Monde Diplomatique Brasil.

Ciência, Sociedade e Wikipédia

De acordo com Jean Carlos, apesar do preconceito de parte da comunidade científica, a Wikipédia é uma oportunidade para os artigos acadêmicos serem mais citados, divulgados e visualizados. O engajamento da comunidade científica é importante para estimular o uso da Wikipédia como ferramenta pedagógica e de pesquisa, o que pode ajudar a solucionar os quebras-cabeças que são a ciência aberta e o conhecimento aberto. “Para ser considerado científico, o conhecimento precisa ser avaliado pela comunidade científica. Esta é a lógica dos periódicos científicos. O surgimento de novas práticas que permitem que outras pessoas avaliem o conhecimento criam resistências entre muitos pesquisadores”, afirma Jean Carlos. “O estímulo ao uso de tecnologias livres como a Wikipédia institui maneiras diferentes de produzir conteúdo de qualidade a partir do momento que possibilita que outros atores participem da construção do conhecimento”, acrescenta o pesquisa que cita como exemplo as maratonas de edição de verbetes da Wikipédia promovidas pelo NeuroMat.

O NeuroMat realizou três maratonas de edição de verbetes da Wikipédia até o momento. O primeiro evento aconteceu em maio de 2015, como parte do Primeiro Encontro de Jovens Pesquisadores. O segundo evento aconteceu em agosto de 2016, com o apoio da FAPESP, da Fundação Wikimedia e do grupo de usuários Wikimedia no Brasil, para a  edição de verbetes sobre neuromatemática na Wikipédia. Já o terceiro evento aconteceu em setembro de 2016, com o apoio da FAPESP, do Museu de Anatomia Veterinária (MAV) vinculado à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ / USP) e do grupo de usuários Wikimedia no Brasil, para a edição de verbetes sobre anatomia veterinária na Wikipédia.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s