Revista Pesquisa FAPESP — Como a divulgação científica pode ajudar a dar visibilidade aos pesquisadores e às suas pesquisas

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Crédito: Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

Por Marília Carrera

A relação entre os cientistas e os jornalistas melhorou no Brasil nas últimas duas décadas. Os pesquisadores têm reconhecido cada vez mais a importância da comunicação com o público e percebido que a divulgação dos seus trabalhados na imprensa pode aumentar a visibilidade das suas pesquisas e o seu prestígio entre os colegas. Os dados são do estudo publicado em março de 2016 nos Anais da Academia Brasileira de Ciências pela jornalista do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Luisa Massarani e pelo cientista social e professor da Universidade Livre de Berlim Hans Peters.  As 19informações são da matéria À procura da visibilidade publicada em setembro de 2016 na revista Pesquisa FAPESP por Rodrigo de Oliveira Andrade.

Segundo o estudo que avaliou a percepção de pesquisadores brasileiros de diferentes áreas do conhecimento sobre os benefícios do relacionamento com a imprensa, os 956 cientistas entrevistados reconhecem que deveriam comunicar os jornalistas sobre o andamento das suas pesquisas e a publicação dos seus artigos acadêmicos em revistas acadêmicas e conceder entrevistas para comentar assuntos relacionados à sua área de pesquisa para melhorar o relacionamento com a imprensa.

Dos 956 cientistas entrevistados, especificamente 67% consideram que a divulgação científica poder aumentar a visibilidade das suas pesquisas dentro e fora da universidade, 66% consideram que a relação com a imprensa é vantajosa e 24% consideram que a interação com os jornalistas podem aumentar as possibilidades de conseguirem novos colaboradores ou apoio financeiro para seus projetos e chamar atenção do público para seu campo de pesquisa.

Luisa afirma que a mudança de percepção dos pesquisadores no Brasil e na Europa é resultado do esforço da comunidade científica para valorizar a divulgação científica. É o exemplo da publicação em 1985 da Royal Society (Academia Britânica de Ciências) de um dos documentos que pedem que os cientistas relacionem–se mais e melhor com a imprensa. A jornalista e pesquisadora acrescenta que a atuação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) tem sido importante para disseminar assuntos de ciência e de tecnologia no Brasil por meio da criação de um Comitê Deliberativo em Divulgação Científica e de uma seção no Currículo Lattes que dá visibilidade às ações de divulgação científica dos cientistas.

Em outro estudo publicado em 2015 na revista Journal of Science Communication, pesquisadores da Universidade de Twente avaliaram as percepções de pesquisadores holandeses sobre os benefícios da comunicação com o público. Os 21 cientistas entrevistados reconhecem que a divulgação científica podem contribuir para que suas pesquisas influenciem a formação de políticas públicas e que o relacionamento com a imprensa pode contribuir para melhorar a compreensão das pessoas sobre os processos de produção do conhecimento científico, de modo a amenizar a ansiedade de determinados setores da sociedade e de governantes pela rápida obtenção de novos resultados.

A pesquisadora do Centro de Estudos sobre a Mudança Socioeconômica e o Território do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (em Lisboa, Portugal) e bolsista do Programa Marie Curie Fellow na London School of Economics and Political Science (em Londres, Inglaterra) Marta Entradas entende que um dos principais problemas da relação entre cientistas e jornalistas é a dificuldade de os meios de comunicação abordarem temas menos sensacionalistas e mais relevantes para a sociedade. Ela recomenda que os pesquisadores aprendam a atender às necessidades dos jornalistas, que as universidades criem cursos que ensinem os pesquisadores a lidarem com os jornalistas e que os pesquisadores aproximem–se das assessorias de comunicação das suas instituições.

Para mais informações, acessar a matéria À procura de visibilidade publicada em setembro de 2016 na revista Pesquisa FAPESP por Rodrigo de Oliveira Andrade.

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