Jornalista do Núcleo de Divulgação Científica da USP, Tabita Said fala sobre o jornalismo científico no país

Tabita Said. Créditos: Arquivo pessoal
Tabita Said. Créditos: Arquivo pessoal

Por Marília Carrera

Talvez isto seja o mais fascinante na ciência. Você passa a ouvir nomes de áreas de estudo que jamais imaginou que existiam. Mesmo assim, elas podem se tornar atrativas a partir da maneira que são apresentadas a você.

Esta é a perspectiva de Tabita Said, que trabalha no Núcleo de Divulgação Científica da Universidade de São Paulo (USP). A equipe de difusão do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat) entrevistou por email a jornalista científica, que contou um pouco sobre a rotina da área dedicada à divulgação da produção científica na instituição e fez considerações sobre o jornalismo científico no país.

Formada em jornalismo pela UNIBAN e especialista em jornalismo digital pelo SENAC e em mídia, informação e cultura pelo CELACC/ECA – USP, Tabita trabalhou como assessora de comunicação em pastas do Estado e em órgãos centrais da USP até tornar–se jornalista do Núcleo de Divulgação Científica em 2015.”Encontrei no jornalismo científico uma forma de retomar os atributos básicos de pesquisa, apuração, entrevistas, checagem de informação e produção de conteúdo, os quais assemelham–se ao trabalho dos próprios pesquisadores”.

As revistas científicas são essenciais para o trabalho no Núcleo de Divulgação Científica não apenas para o entendimento dos artigos acadêmicos publicados pelos cientistas entrevistados, como também para a obtenção de pautas. Tabita afirma que praticamente todas as publicações científicas consultadas pelos cinco jornalistas que compõem o Núcleo de Divulgação Científica são internacionais, especialmente norte–americanas ou britânicas. Entretanto, Tabita acrescenta que tem surpreendido–se positivamente com publicações científicas brasileiras como o Science Blogs Brasil, que reúne blogs com textos e podcasts, na maioria dos casos produzidos próprios pesquisadores.

Segundo Tabita, a experiência dos profissionais do Núcleo de Divulgação Científica tem revelado que a divulgação de ciência no Brasil é cada vez mais uma preocupação dos cientistas e das instituições ligadas à pesquisa. Tabita pondera que, mesmo com o desafio para os jornalistas científicos da falta de educação básica do público devido às deficiências da educação básica brasileira, a comunicação é capaz de chamar atenção da sociedade para os assuntos relacionados à ciência e à tecnologia.

Ciência aberta

Em linha com a Iniciativa Wikipédia do CEPID NeuroMat, que compreende a criação e a melhoria de conteúdos relacionado à probabilidade e estatística e à neuromatemática na Wikipédia sob licenças livres, Tabita diz notar por parte de alguns cientistas a opção de publicar artigos acadêmicos em revistas open source como a Plos One, a Biorxive, as publicações do grupo Elsevier, os próprios portais de revistas das universidades, entre outros. “É importante salientar o quanto o interesse dos pesquisadores em procurar por este tipo de suporte para as publicações pode facilitar o acesso do jornalista e até a disponibilização deste conteúdo ao público. Por outro lado, há uma discussão em relação aos artigos acadêmicos considerados por muitos de segunda linha”.

Tabita afirma que a maioria das revistas open source não tem disponível o serviço de peer review, que corresponde à revisão do artigo acadêmico por outros especialistas. O peer view inclui a checagem dos dados, podendo levar a alterações nas conclusões finais das pesquisas, o que resulta em um cuidado maior por parte do pesquisador para com o artigo acadêmico. Entretanto, Tabita acrescenta que uma maneira de os jornalistas científicos resguardarem–se destas situações é trazer outras perspectivas sobre o mesmo objeto de estudo enriquecendo o material com estudos e entrevistas de pesquisadores com diferentes pontos de vista. “Talvez isto seja o mais fascinante na ciência. Você passa a ouvir nomes de áreas de estudo que jamais imaginou que existiam. Mesmo assim, elas podem se tornar atrativas a partir da maneira que são apresentadas a você”.

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