Novo projeto do NeuroMat pesquisa os desafios da comunicação em cartilhas na área da saúde

Karolina Bergamo no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática – CEPID NeuroMat

Por Karolina Bergamo

Olá, sou a Karolina, jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, e nova integrante da equipe de difusão científica do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão – CEPID NeuroMat. Sob orientação dos professores Fernando da Paixão e João Alexandre Peschanski, me candidatei ao Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico (Mídia Ciência), da FAPESP, que concede bolsas de pesquisa com o objetivo de estimular a capacitação de profissionais de mídia para trabalhar com a cobertura de assuntos da área das ciências.

Meu projeto é sobre comunicação em cartilhas na área da saúde. São aqueles impressos que geralmente encontramos em postos de saúde e que são produzidos para ajudar os pacientes a entenderem melhor vários aspectos de sua própria saúde.

No ambiente hospitalar existe uma necessidade, reconhecida intuitivamente pelas equipes de profissionais de saúde, de atender à demanda de informações dos pacientes sobre procedimentos diagnósticos e terapêuticos, de facilitar adaptações a situações clínicas, de atenuar ansiedades frente a procedimentos dolorosos, e de modificar hábitos de risco ou promover a aderência a tratamentos de curto e longo prazo. (Rozemberg et al, 2002)*

A ideia do projeto é criar uma série de cartilhas sobre temas de interesse da área de pesquisa do CEPID. A primeira será relacionada às lesões traumáticas do plexo braquial (conjunto de nervos localizado na região do ombro e pescoço), que pode afetar os movimentos do braço e é um problema saúde pública em países menos desenvolvidos, como o Brasil, principalmente pela alta incidência de acidentes envolvendo motociclistas.

Essas cartilhas integrarão a Ação NeuroMat para a Lesão do Plexo Braquial (ABRAÇO) programa de acolhimento para pacientes, familiares e profissionais da área, criado pelo NeuroMat. Essa iniciativa faz parte do projeto “Plasticidade na Lesão Traumática do Plexo Braquial”, desenvolvido pela frente de neuro-reabilitação e diagnóstico do eixo de Transferência Tecnológica do CEPID NeuroMat.

Acontece que para criar cartilhas eficientes e que cumpram o papel de empoderar pacientes sem subestimar sua capacidade intelectual, nem reforçar estereótipos, vimos que é preciso também fazer uma investigação teórica sobre o assunto.

Durante a produção do projeto “Comunicação em cartilhas na área da saúde: prática e investigação metodológica” que submeti ao programa de bolsas, percebi que a pesquisa científica sobre o assunto é ainda incipiente. Apesar da ampla existência de materiais impressos, como cartilhas, em postos de saúde e unidades de atendimento, a produção acadêmica sobre os métodos de elaboração desse tipo de instrumento é escassa.

Alguns autores afirmam que a produção desse material muitas vezes provém apenas da necessidade prática vivenciada pelos profissionais da saúde no cotidiano e acaba relegada a esse aspecto.

A falta de investigação pertinente antes da produção dessas publicações leva a simplificações e generalizações em relação às dúvidas e questões mais comuns dos doentes, reforçando a estereotipação da clientela com base em suas carências e necessidades.(Rozemberg et al, 2002)*

Estudos apontam ainda que o comportamento do paciente tem potencial considerável para validar, ou não, o tratamento prescrito. E quando levamos em conta que o conhecimento clínico na área da saúde, especialmente no âmbito do tratamento, é quase de exclusividade de profissionais da saúde a existência de materiais educativos, como as cartilhas, são fundamentais para melhorar essa comunicação.

Uma comunicação eficiente na área da saúde poderia ser capaz de estreitar a relação médico-paciente, e empoderar o segundo quanto ao seu próprio cuidado. Para alcançar esses fins, o projeto propõe dois tipos de ação: acadêmicas (ou teóricas) e práticas.

As práticas envolvem:

  • Produzir quatro cartilhas (duas por semestre) sobre temas de interesse da área de pesquisa, transferência de tecnologia e difusão científica do NeuroMat;
  • Divulgar esse conteúdo no site da iniciativa Abraço, do NeuroMat, e em outros espaços virtuais conforme a relevância e tópico.
  • Monitorar o impacto das atividades realizadas para aprimorar esse impacto;
  • Publicar um artigo em um meio de comunicação de público amplo sobre os desafios de retratar a ciência por meio de cartilhas;
  • Publicar um artigo em um meio de comunicação de público amplo sobre as pesquisas realizadas pelo NeuroMat na área de lesões traumáticas do plexo braquial.
  • Manter com pelo menos uma postagem por semana o blog “Traço de Ciência”, sobre difusão científica do NeuroMat, em língua portuguesa;
  • Contribuir com a produção de um Curso online Introdução ao Jornalismo Científico, especialmente no módulo “Reporting on Science policy // Cobrindo políticas científicas”, com atuação na captação de imagens e na produção de conteúdo, bem como na produção do roteiro. Isso segue orientação da FAPESP no sentido de fomentar a difusão de conteúdo científico para especialistas e estudantes.
  • Contribuir com a adaptação da linguagem sobre pesquisas e recursos para o site da rede ABRAÇO, sobre lesão do plexo braquial.
  • Caso a bolsa seja renovada no próximo semestre, colaborar com a produção de conteúdo para outras frentes de atuação do NeuroMat, como a Rede Amparo, de apoio a pacientes com Parkinson.

Já os objetivos das atividades teóricas, que também serão realizadas sob a coordenação do supervisor científico, são:

  • Elaboração de um artigo de pesquisa sobre as potencialidades da comunicação em cartilhas, visando a publicação acadêmica a ser submetida no contexto da bolsa;
  • Elaboração de um relato de experiência e uma problematização da difusão da ciência de ponta com as cartilhas, a ser eventualmente elaborado e submetido com a renovação da bolsa por mais seis meses;
  • Acompanhamento de formação em difusão científica em especial com a realização de um Curso de Introdução ao Jornalismo Científico e de um programa de estudo específico elaborado pelo supervisor científico;
  • Participação em um programa de estudo de Difusão Científica sob coordenação do supervisor científico e do jornalista responsável.

Trabalho com jornalismo de saúde há quase dois anos e estou ciente da importância que aproximar o público leigo dos profissionais de saúde tem para o dia a dia de ambos. Estar bem informado ajuda tanto na prevenção, quanto no tratamento de problemas de saúde.

*ROZEMBERG, B. et al. Impressos hospitalares e a dinâmica de construção de seus sentidos: o ponto de vista dos profissionais de saúde. Cadernos de Saúde Pública, vol.18 n.6. Rio de Janeiro. Nov./Dec. 2002. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X2002000600023>. Acesso em: 23 jan. 2017.
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