Os desafios da comunicação entre médicos e pacientes

medico-paciente
Ilustração: Creative Commons CC0

Por Karolina Bergamo

A começar pela famosa (e muitas vezes ininteligível) “letra de médico”, vários aspectos da medicina são tidos como incompreensíveis pela maioria das pessoas. O conhecimento clínico na área da saúde, especialmente no âmbito do tratamento, é quase exclusividade de profissionais da saúde. E o público leigo, quando se torna paciente, não raro deposita nas mãos desses profissionais 100% da responsabilidade de cura.

Estudos, no entanto, apontam que o comportamento do paciente tem potencial considerável para validar, ou não, o tratamento prescrito. Nessa linha, é fundamental investir em ações e em pesquisa que tenham como objetivo mediar essa comunicação entre dois mundos aparentemente distantes.

O jornalismo tem um papel fundamental na aproximação desses dois universos. Como sugere Roxana Tabakman, jornalista e autora do livro A Saúde na Mídia – medicina para jornalistas, jornalismo para médicos (Summus, 2013), “médicos e jornalistas precisam uns dos outros”, mas segundo ela esse é um “casamento por conveniência”, já que é repleto de atrito de ambos os lados.

Mas, além dessa relação médico-jornalista já relativamente estabelecida (quase todos os veículos da grande imprensa têm uma seção especializada em cobertura de ciência, e pautas voltadas à saúde geralmente aparecem bastante no noticiário) é preciso pensar também na comunicação direta entre médicos e pacientes.

Dá pra notar que no dia a dia profissionais da saúde sentem necessidade de se comunicar bem com seus pacientes (e vice-versa), e muitas vezes encontram desafios nisso. Não raro, por exemplo, vemos cartilhas e impressos de saúde que não são muito eficazes, já que, principalmente na linguagem, deixam a desejar e se utilizam de termos técnicos por demais.

Ou, o oposto… em alguns casos, a simplificação é tamanha que o público-alvo aparece subestimado em suas capacidades.

Por essas e outras, que a pesquisa na área da comunicação em saúde precisa de mais atenção, tanto em sua produção, quanto na visibilidade. O jornalista Arquimedes Pessoni (2007) lista algumas possíveis direções a serem seguidas: “tornar a pesquisa em Comunicação para a Saúde mais socialmente relevante, haver maior cooperação entre os profissionais e acadêmicos, e atender à necessidade de impactar a política de atendimento em saúde”.

Afinal, ser um bom médico e/ou um bom paciente que, empoderado, está ciente de como cuidar de si mesmo tem tudo a ver com a Comunicação e seus campos de estudo e atuação.

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