CEPID NeuroMat promove diálogo sobre memória e mulheres negras com a jornalista e pesquisadora Bianca Santana

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Bianca Santana. Créditos: Leila Porto / CC BY-NC-ND 2.0
Por Marília Carrera
Na quinta-feira (06.04), o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat) recebeu a jornalista e pesquisadora de comunicação Bianca Santana. Doutoranda em Ciências da Informação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA / USP), Bianca apresentou o trabalho Ialodês, Memórias de Mulheres Negras e Inspirações para a Interculturalidade. O texto desenvolvido na disciplina Informação e Cultura aborda a relação entre a memória e a participação das mulheres negras na luta antiracista e feminista.

O trabalho da escritora do livro Quando Me Descobri Negra destaca a reflexão sobre as Ialodês de Jurema Werneck, de acordo com a qual Ialodê é um dos títulos dados a Oxum segundo algumas das tradições africanas transplantadas para o Brasil e refere–se à representante das mulheres que fala por todas as mulheres e participa de instâncias do poder. Bianca explica que Jurema Weneck questiona o ponto de partida da luta feminista no Brasil, levando–nos a pensar se o movimento não partiria do ponto de vista do colonizador com a eclosão do feminismo tendo ocorrido nos Estados Unidos e na Europa nas décadas de 1960 e 1970. “Será que este feminismo contempla todas as mulheres, especialmente as latinas?”, questiona ela, no diálogo no CEPID NeuroMat.

Em linha com o próprio título Ialodês, Memórias de Mulheres Negras e Inspirações para a Interculturalidade, o texto traz as noções de memória (na perspectiva de Eclea Bosi) e de interculturalidade (na visão de Néstor Garcia Canclini). Sobre a interculturalidade de Néstor Garcia Canclini, Bianca aponta que a noção interculturalidade difere–se da noção de diversidade cultural na medida em que a interculturalidade não pressupõe o abafamento dos conflitos sociais entre culturas diferentes. Enquanto que sobre a memória de Eclea Bosi, a autora indica que até mesmo a memória coletiva se expressa através dos sujeitos de maneira individual.

É neste sentido que a jornalista e pesquisadora traz para o trabalho Fernanda Carneiro, que estuda o corpo como um meio de expressão da memória coletiva. Bianca afirma que está encantada com suas novas descobertas a partir das leituras que têm feito para o desenvolvimento do projeto de pesquisa nos primeiros meses do Doutorado. “Estas percepções estavam em mim, especialmente nas rodas de conversas com mulheres negras promovidas pela Casa de Lua [organização feminista sem fins lucrativos encerrada em 2015, que teve Bianca entre suas idealizadoras e fundadoras]”, acrescenta ela, aos pesquisadores do CEPID NeuroMat.
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