Doutoranda do IME colabora com edição do verbete Teorema da Bayes na Wikipédia e comenta a diferença entre frequentistas e bayesianos em estatística

Simone Harnik. Créditos: arquivo pessoal

Por Marília Carrera

Na última segunda-feira (12/6), aconteceu a gravação do verbete Teorema de Bayes, na reta final do projeto de pesquisa Matemática Falada: Audiodescrição de Verbetes de Probabilidade e Estatística. Enquanto os artigos anteriores foram revisados pelo professor Anatoly Yambartsev, o verbete Teorema de Bayes foi revisto pela doutoranda do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP) Simone Harnik. De maneira semelhante aos artigos anteriores, a melhoria do verbete Teorema de Bayes envolveu a tradução do texto do Inglês para o Português disponível na Wikipédia.

Primeiro Dilema: Bayesianos X Frequentistas

Na área de inferência estatística, Simone estuda modelos dinâmicos, utilizados para a modelagem de dados de séries temporais. Basicamente a inferência estatística é o campo da estatística que busca tirar conclusões gerais e válidas para populações a partir de amostras. Há duas correntes principais na Inferência: a linha frequentista ou clássica (entre os precursores está Ronald Fisher) e a linha bayesiana (cujo nome homenageia Thomas Bayes e tem entre os expoentes Bruno de Finetti). Simone é uma das poucas pesquisadoras do IME a adotar a linha bayesiana. Daí o convite para colaborar com a equipe de difusão científica do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em NeuroMatemática (CEPID NeuroMat).

De acordo com Simone, a história da Estatística ajuda a explicar porque há menos bayesianos no IME. A inferência bayesiana depende, muitas vezes, de métodos computacionais e de simulação complexos, que só puderam ser alcançados nos últimos trinta ou quarenta anos. A abordagem frequentista, por sua vez, em muitos casos, dependeu menos dos avanços computacionais.

Segundo Dilema: Academia X Gênero

No IME, Simone é minoria, tanto por seguir a linha bayesiana, quanto por ser mulher e pesquisadora em estatística. Segundo ela, há um menor número de professoras nos departamentos do instituto, possivelmente devido a questões culturais que afastam mulheres da matemática desde a educação básica até a pós-graduação. Há também um menor número de mulheres em postos de liderança na universidade – no IME, por exemplo, existem apenas duas professoras titulares na ativa, entre algumas dezenas de docentes com o mesmo cargo. E quando se trata de professoras negras, a questão é ainda mais severa: não há mulheres com esse perfil.

Apesar disso, o IME é um instituto pioneiro no acolhimento de mulheres vítimas de violência (psicológica, moral, física, sexual, entre outras) – pois instituiu uma comissão de mulheres (https://www.ime.usp.br/~cam/), eleita por estudantes, funcionárias e professoras para tratar dos casos de violência da comunidade imeana.

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