Fla-Flu no Cérebro: por trás da câmera

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Primeira etapa da gravação da pesquisa Neuromatemática Representada (foto: arquivo pessoal)

Por Giulia Ebohon

Existe um abismo entre saber e não saber. Gosto de pensar que adquirir conhecimento sobre algo é um processo lento, que envolve tatear, manusear, conviver com um novo objeto de estudo até que a estranheza dê lugar a familiaridade. No esforço de produzir o primeiro vídeo da pesquisa Neuromatemática Representada*, reconheci ainda mais que as perguntas são um sinal de aprendizado.

Ao contrário de desenhar, produzir um conteúdo audiovisual foi um novo desafio.  Por não ter nenhum domínio sobre as técnicas necessárias para realizá-lo, diversos estágios de aprendizado marcaram os bastidores desse primeiro resultado prático da pesquisa.

Nos primeiros testes de gravação do projeto, ficou evidente a importância da iluminação para a qualidade do vídeo. A princípio, pensávamos que a luz natural seria suficiente para conseguir o resultado esperado, mas não demorou para que as imagens nos mostrassem o contrário. Pelo menos duas luminárias eram essenciais para garantir a qualidade da luz. Pensando nisso, migramos para um estúdio que oferecia a estrutura necessária.

Com o tripé na altura máxima, o posicionamento e o foco da câmera se mostraram tão relevantes quanto a iluminação para a qualidade da gravação. A técnica time lapse exige que a câmera fique configurada no disparador automático – nessa opção determinamos quantas fotos queremos que a câmera tire por segundo e por quanto tempo –  e, por isso, a câmera deve ficar imóvel, para que não haja nenhuma alteração entre as imagens.

Manter a câmera fixa e o cenário inalterado foi o principal desafio para a produção do vídeo. Como a câmera tinha uma capacidade de 999 fotos no disparador, ao atingir o limite era necessário reconfigurá-la para que a contagem recomeçasse. Para isso, era inevitável encostar e manusear a câmera no decorrer da gravação, o que nos trouxe alguns obstáculos que só ficariam evidentes ao editar as imagens.

A gravação final demorou cerca de seis horas, mas notamos na edição que uma parte dela ficou fora de foco depois que reiniciamos o disparador, e que a iluminação ficou um pouco rosada, por causa de uma cadeira vermelha que estava ao lado do feixe de luz. Decidimos regravar, com atenção redobrada aos elementos que ficaram ruins, e buscando aprimorar a técnica isolando completamente a sala de itens coloridos, prendendo a folha com fita adesiva na mesa, para evitar qualquer movimento, e ajustando a câmera de uma forma que só fosse necessário apertar um botão para que os disparos fossem acionados.

Ao longo de duas semanas o vídeo foi tomando o corpo que gostaríamos, com uma iluminação mais constante e sem movimentos imprevisíveis. O tempo e a repetição, ainda que cansativo, foram parte fundamental desse trabalho.

*Relatei anteriormente os primeiros passos de execução da Matemática Representada. Uma pesquisa que busca investigar como a imagem por si só pode transmitir conhecimento científico. Iniciando o caminho prático do estudo,  o artigo Fla-Flu no Cérebro, assinado pelo diretor do CEPID NeuroMat Antonio Galves, serviu como referência para a criação do primeiro vídeo e teve o valioso papel de me revelar as reais dificuldades em produzir e editar um projeto audio-visual.

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