O fenômeno do livro ‘Sapiens’

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Por Daniel Dieb

Não sai da lista de mais vendidos do New York Times o livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” (LP&M), que inclusive ocupa o topo da versão brasileira da lista. Bill Gates e Mark Zuckerberg colocaram-no em suas listas de livros favoritos e o autor, Yuval Harari, recentemente foi entrevistado por Pedro Bial para o talk show “Conversa com Bial”, da TV Globo.

Conheci “Sapiens” pouco tempo atrás, quando comecei a pesquisa bibliográfica para a elaboração de conteúdo sobre “A História da Ciência e da Tecnologia”, cujo aspecto central é o mesmo da obra Harari: nós. As 400 páginas escritas pelo historiador israelense são um compilado sobre a origem da nossa espécie, apresentada partir de três revoluções que, para ele, foram fundamentais na nossa história: revolução cognitiva, revolução agrícola e revolução científica.

A primeira teria acontecido há 70 mil anos, quando desenvolvemos a imaginação e uma linguagem oral graças ao crescimento do cérebro e a capacidade enviar energia ao órgão. A segunda teria ocorrido 13 mil anos atrás, quando inventamos a agricultura, deixamos de ser caçadores-coletores, viramos sedentários e começaram a aparecer as primeiras civilizações. Por fim, há cerca 500 anos, a revolução científica, resultado da aceitação da elite Europeia em relação à própria ignorância.

Há pontos controversos de “Sapiens”, como na parte da revolução agricultural, que, para Harari, “é a maior fraude da história”. O historiador argumenta que seus efeitos foram mais negativos do que positivos.

Yuval Noah Harari
Yuval Noah Harari [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)%5D, via Wikimedia Commons
Ele lista a piora das dietas, as doenças contagiosas espalhadas pelos animais da fazenda e o trabalho árduo que ficou a cargo das pessoas de parte de baixo da pirâmide social. 

Depois, sobre a revolução científica, Harari diz que saída foi dada por Cristóvão Colombo quando ele chegou ao continente americano. De acordo com “Sapiens”, a vontade dos europeus de explorar e conquista o Novo Mundo era diferente da de outras civilizações, como o Império Romano, os Mongóis ou os Astecas. A distinção estaria, segundo o autor, na vontade em obter conhecimento.

Harari tornou-se um historiador celebridade, mas não o livrou das críticas, como fez o jornalista científico Charles C. Mann em resenha para o The Wall Street JournalPara Mann, da mesma forma que Harari afirma não ter como falar se os primeiros humanos, os caçadores-coletores, eram pacíficos ou violentos, deve-se usar a mesma lógica para dizer se a vida humana era melhor ou pior antes da revolução agricultural.

A visão de Harari sobre a revolução científica é o ponto mais combatido por Mann, a começar pela ideia de que os europeus teriam a vontade não só de explorar e conquistar, como também de ampliar seu conhecimento, ao contrário dos romanos, mongóis e astecas. “Isso teria surpreendido Plínio, o Velho, que escreveu a enciclopédia ‘História Natural’, assim como teria surpreendido os Mongóis, que promoveram o estudo da medicina e da astronomia […]. Pouco se sabe sobre a ciência Asteca, até porque os Europeus queimaram praticamente toda a literatura indígena antes de sua chegada. Muito foi feito para obter novos conhecimentos”, escreve Mann.

Mann elogia a escrita de Harari, seu estilo pop e senso de humor. Porém, não gosta do jeito pétreo, imutável que o autor usa ao falar sobre supostas leis da história: “Esse livro é como se os tópicos do Reddit [misto de rede social e fórum] fossem escritos não por adolescentes autodidatas, mas por acadêmicos estudados e com um senso de humor levado”. Mesmo com suas falhas, é inegável que “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” despertou em muitos uma antiga curiosidade que temos… nós mesmos!

 

 

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