Mulheres cientistas em “azul” no Ano da Ciência

Margaret D. Foster (1895-1970), química escolhida para trabalhar no Projeto Manhattan;  primeira química mulher a trabalhar para o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Imagem: Margaret D. Foster, in Lab, 4 October 1919.jpg, por National Photo Company, restaurada por Adam Cuerden, domínio público, via Wikimedia Commons.

Por Ryan McGrady*

No ano passado, uma das metas que estabelecemos para a campanha do Ano da Ciência foi estimular o desenvolvimento de biografias de mulheres cientistas na Wikipédia. Ao longo do ano, acompanhamos um grande trabalho de estudantes e pesquisadores visitantes, mas nesta publicação, eu gostaria de destacar os resultados de uma “maratona virtual de edição” no Ano da Ciência co-organizada pelos WikiProjetos Women in Red [Mulheres em Vermelho, em inglês] e Women Scientists [Mulheres Cientistas, em inglês). A maratona virtual de edição Celebrating Women Scientists [Celebrando Mulheres Cientistas, em inglês] aconteceu de abril a dezembro de 2016, levando ao desenvolvimento de centenas de artigos sobre mulheres na ciência.

Na Wikipédia, como na maioria dos sites que usam software wiki, um link para outra página na mesma wiki aparece em texto azul. Se a página não existir, a cor do link será vermelha. Como as wikis são quase sempre projetos colaborativos, gerar um link para um artigo inexistente pode criar um indicador útil para outros usuários de que há uma oportunidade para contribuir. Quando a Wikipédia estava apenas começando no início dos anos 2000, a maioria dos artigos estava repleta de links em vermelho, apontando para muitos tópicos importantes que ainda tinham de ser elaborados.

Links em vermelho são menos comuns hoje em dia, mas ainda há muitos, muitos temas notáveis ​​que ainda não foram cobertos, além de muitas áreas de interesse que estão, como um todo, inadequadamente representadas. Os assuntos podem estar negligenciados por uma série de razões, muitas vezes ligadas a uma ou mais formas de viés sistêmico da Wikipédia. Uma área em que a Wikipédia tem se esforçado há muito tempo se refere à quantidade de páginas sobre mulheres, devido em parte ao fato de que as mulheres só representam cerca de 10-20% das pessoas que escrevem a Wikipédia.

O WikiProjeto Women in Red é uma iniciativa formulada por Rosie Stephenson-Goodknight (recentemente anunciada como Pesquisadora Visitante da Wikipédia na Northeastern University) e Roger Bamkin em 2015 para abordar a sub-representação das mulheres. O Red no título é uma referência aos links em vermelho e o projeto visa tornar azuis os links em vermelho para nomes de mulheres notáveis. O projeto atraiu centenas de participantes que escreveram milhares de artigos e geraram listas com mais milhares de nomes em vermelho, organizados de acordo com o campo, a nacionalidade, a época, etc. Quando a iniciativa começou, 15% das biografias na Wikipédia eram sobre mulheres. Dois anos mais tarde, este número chega a 16,9% – um avanço impressionante, mas há claramente muito mais trabalho a ser feito.

Alguns anos antes da formação de Women in Red, outro WikiProjeto teve seu início: Women Scientists, também criado para abordar a diferença de gênero na Wikipédia, mas focado em cientistas. Emily Temple-Wood iniciou o projeto em 2012, quando era estudante de biologia molecular. Agora na faculdade de medicina, ela continua escrevendo artigos e defendendo a representação das mulheres na ciência na Wikipédia.

Trabalhando juntos, a comunidade da Wikipédia abraçou o Ano da Ciência e criou ou melhorou artigos sobre centenas de cientistas durante a maratona de edição virtual. Muitos agora incluem novas Imagens em Destaque e muitos outros foram destacados na seção Você Sabia da Página Principal da Wikipédia. Abaixo estão algumas das mulheres cujas obras agora estão mais bem representadas na Wikipédia graças a esses esforços. Agradecemos novamente aos WikiProjetos Women in Red e Women Scientists!

 

Elizabeth Truswell (1941), ex-cientista-chefe da Geoscience Australia, que pesquisou a história vegetal da Antártida e desenvolveu métodos para estudar a  geologia subglacial.

Imagem: Dr Elizabeth Truswell.jpg, por MichaelJHood, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Salinee Tavaranan, engenharia mecânica, vencedor de um prêmio Cartier Women’s Initiative em 2014 por seu trabalho sobre energia renovável em áreas remotas da Tailândia.

Imagem: Salinee Tavaranan.jpg, por PopTech, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Kitty Joyner (1916-1993), engenheira eletricista que trabalhou com a NASA ao longo de sua carreira, primeira engenheira mulher na NASA e a primeira mulher graduada em engenharia na Universidade da Virgínia.

Imagem: Kitty Joyner – Electrical Engineer – GPN-2000-001933.jpg, por NACA, domínio público, via Wikimedia Commons.

Rosemary Askin (1949), geóloga especializada em palinologia antártica, primeira mulher neozelandesa a liderar um projeto de pesquisa na Antártida.

Imagem: MG 6885Rosie1970.jpg, por Rosieaskin, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Barbara McClintock (1902-1992), vencedora do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina por sua descoberta do transpóson.

Imagem: Barbara McClintock (1902-1992) shown in her laboratory in 1947.jpg, pela Smithsonian Institution, restaurada por Adam Cuerden, sem restrições de direito autoral conhecidas, via Wikimedia Commons.

Alice Catherine Evans (1881-1975), microbiologista, que pesquisou bacteriologia no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Imagem: Alice C. Evans, National Photo Company portrait, circa 1915.jpg, por National Photo Company Collection, restaurada por Adam Cuerden, sem restrições de direito autoral conhecidas, via Wikimedia Commons.

Diana Wall, cientista ambiental e ecóloga do solo com pesquisa sobre processos de ecossistemas, biodiversidade do solo, serviços de ecossistemas e como são afetados pela mudança climática.

Imagem: Diana Wall portrait.jpeg, por Byron Adams, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Margarete Zuelzer (1877-1943), bióloga e zoóloga especializada no estudo de protozoários.

Imagem: Margarete Zuelzer als Studentin in Heidelberg.jpg, via Wikimedia Commons.

Glenda Gray (b. 1962), condecorada com a Ordem de Mapungubwe, a maior honraria concedida pelo governo sul-africano por “seu excelente trabalho capaz de salvar vidas sobre transmissão de mãe para filho de HIV e AIDS, que mudou as vidas das pessoas na África do Sul e no exterior. Seu trabalho não só salvou as vidas de muitas crianças, mas também aumentou a qualidade de vida de muitas outras pessoas com HIV e AIDS.”

Imagem: Glenda Gray SA.jpg, por Simon Fraser University Communications, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

In-Young Ahn, ecóloga bêntica, pesquisadora principal do Instituto Sul-Coreano de Pesquisa Polar e primeira mulher sul-coreana a visitar a Antártida.

Imagem: Dr. In-Young Ahn at the Korean Antarctic Station, King Sejong in October 2015.jpg, por Inyoungahn, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Jan Strugnell, bióloga molecular evolucionária do Centro para Pesca e Aquicultura Tropical Sustentável na Universidade James Cook.

Image: Jan at Carlini.jpg, por Iracooke, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Irma LeVasseur (1877-1964), médica, primeira mulher franco-canadense a se tornar doutora e pioneira em medicina pediátrica.

Imagem: Irma Levasseur.png, autor desconhecido, domínio público, via Wikimedia Commons.

Ryan McGrady é colaborador da Wiki Education Foundation.

*Este texto foi originalmente publicado no site da Wiki Education Foundation em 20 de abril de 2017.

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