Os jornalistas de ciência no Brasil: Cilene Victor

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Os estudos em Comunicação de Risco tinham pouco mais de uma década de existência quando a jornalista Cilene Victor começou seu mestrado na área, em 1994, pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), sob a orientação de Wilson da Costa Bueno. Mais especificamente, seu objeto foi a cobertura da mídia em casos de contaminação e resíduos industrias, como o do Condomínio Barão de Mauá, que pôde vivenciar em 2000. “No começo, os moradores falavam com a imprensa, mas depois começaram a ver que isso poderia desvalorizar o imóvel deles”, diz Cilene.

O Condomínio Barão de Mauá foi construído num terreno que pertencia à empresa de amortecedores Cofap, que havia enterrado inapropriadamente seus resíduos sólidos industriais, em especial areais de fundição. Em 20 de abril de 2000, Geraldo Riviello acendeu um isqueiro dentro da bomba d’água que consertaria no subsolo do condomínio. Os gases acumuladores desencadearam uma explosão que matou Riviello e revelou a contaminação do terreno. “A mídia usou muitas imagens das crianças que moravam lá, que depois reclamaram aos pais que os amiguinhos da escola tinham visto elas na TV e que elas moravam num lixão”, conta Cilene, que era doutorando à época do ocorrido.

Cilene concluiu o doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), na linha de Comunicação de Risco, em 2001. Ela recorda que, durante a entrevista final de seleção, sentira um “estranhamento” por parte dos avaliadores em relação à ela, jornalista. “Afinal, o que uma jornalista estaria fazendo lá? Um amigo meu disse que eu fui a primeira jornalista doutora em Saúde Pública, mas eu nunca confirmei isso”, diz Cilene. Em sua visão, a comunicação de risco serve como instrumento para a tomada de decisões de autoridades e outros envolvidos em casos de desastre, como a mídia, que deve tomar cuidado para não espalhar “pânico e rumor”.

Reduzir o risco de desastres e reportá-los quando aconteceram, são os focos do trabalho de Cilene, além de preparar as próximas levas de jornalistas. Em outubro, entre 11 e 14, ocorrerá o II Congresso Brasileiro de Redução de Risco de Desastres, no Rio de Janeiro, um evento organizado por Cilene para reunir pesquisadores de várias áreas, comunicadores e representantes do poder público. “Temos cada vez mais banco de dados e informação, o que é excelente, mas não podemos esquecer do aspecto humano”, diz ela.

Nem sempre o jornalista que cobre um desastre é jornalista científico. A este, o que é necessário para sua função? “Entender a complexidade de um desastre, conseguir tratar de seus vários aspectos…”. Cilene para, pensa um pouco e completa: “o jornalista científico é um grande valente, que deve ter senso de cumprimento público e resiliência”.

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