Revisão: História do Gênero e das Mulheres Norte-Americanas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Shalor Toncray*

A história está cheia de mulheres fortes e complexas. Não importa para que parte da história você olhe, são altas as probabilidades de que você encontre uma mulher que fez uma diferença significativa. Independentemente de suas contribuições merecerem elogios ou críticas, você não pode negar que algumas das pessoas mais fascinantes da história são mulheres. Em alguns casos, estas mulheres se arriscaram a cair no ostracismo ou pior, pois suas ações contrariaram os papéis de gênero esperados em seu tempo e sua cultura. Como tal, não surpreende que a turma da Professora Tamar Carroll do Instituto de Tecnologia de Rochester tenha como foco a História do Gênero e das Mulheres Norte-Americanas.

Uma mulher muito interessante foi Kateri Tekakwitha, uma indígena do povo Algonquin-Mohawk que escolheu ir contra as expectativas de seu grupo para se converter ao catolicismo e perseguir uma vida de castidade. Recusando-se a casar com o escolhido de sua família, Tekakwitha se juntou a uma missão em 1677 e, em 2012, foi canonizada, o que fez dela a primeira mulher indígena da América do Norte a ser tornada santa pela Igreja Católica Romana. Os alunos também trabalharam em artigos sobre mulheres como Lotte Reiniger, que criou The Adventures of Prince Achmed em 1926, agora considerado o mais antigo filme de animação preservado. Reiniger é considerada a mais importante pioneira da animação em silhueta e seu trabalho influenciou muitos profissionais criativos, podendo ser visto em filmes como a abertura para Fantasia, a obra-prima da Disney de 1940.

A turma também se concentrou em mulheres que trabalharam com as comunidades e as ciências, como no caso de Mary Richmond e Kate Gordon Moore. Richmond foi uma assistente social ativa entre o fim do século XIX e o começo do século XX, cujos trabalhos afetam o ensino em serviço social ainda hoje. Moore foi uma psicóloga que se concentrou na visão em cores e na memória no início de sua carreira. Seu foco de pesquisa mudou duas vezes durante sua trajetória: da visão em cores passou à educação, da educação passou à imaginação. O artigo sobre Katharine Blunt também foi editado para incluir a menção de que Blunt — uma química, professora e nutricionista — trabalhou no campo da educação doméstica no início dos anos 1900, um campo que oferecia a muitas mulheres a chance de entrar na comunidade acadêmica, dominada pelos homens daquele tempo.

A química, nutricionista e professora norte-americana Katharine Blunt (imagem carregada por um aluno).

Os alunos também se concentraram em mulheres com histórias e carreiras mais complicadas. Sybil Neville-Rolfe é uma destas mulheres, uma notável higienista social e fundadora da Eugenics Society da Reino Unido. Neville-Rolfe acreditava que o valor de uma pessoa era determinado por sua genética — uma pessoa com boa genética se tornaria bem-sucedida e alguém com genética pobre não daria certo, independentemente de seus antecedentes. Em contraste com alguns eugenistas, no entanto, Neville-Rolfe não assumia automaticamente que mães solteiras ou prostitutas fossem geneticamente deficientes. Em vez disso, acreditava que estas mulheres eram vítimas da moral pobre da época e argumentava que deveriam ser tomadas medidas para lhes proporcionar uma melhor educação e apoio. Neville-Rolfe provavelmente teria mantido a mesma opinião a respeito de outra mulher sobre a qual os alunos escreveram, Sarah Grosvenor. Grosvenor viveu durante a era colonial norte-americana, que carecia dos cuidados de saúde de alta tecnologia de que muitos de nós desfrutamos hoje. Ela engravidou no fim da adolescência, enquanto estava em um relacionamento secreto com um homem solteiro de vinte e poucos anos. Como a gravidez fora do casamento era fortemente desaprovada e seu amante não estava interessado em se casar com ela, Grosvenor procurou um aborto em seu médico local. Pouco mais de uma semana após o procedimento ter sido completado e a gestação interrompida, a jovem ficou doente e morreu, provavelmente devido ao procedimento feito em condições insalubres.

Shalor Toncray é colaboradora da Wiki Education Foundation.

Imagem: Lotte Reiniger 1939.jpg, por Salvor, domínio público, via Wikimedia Commons.

*Este texto foi originalmente publicado no site da Wiki Education Foundation em 5 de março de 2018.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s