Trabalhos Jornalísticos em Vídeos 360 Graus – Parte 1

*Por Thais May Carvalho

Depois de dar um panorama teórico sobre a realidade virtual (RV) e como seu uso pode ter um grande impacto na área da comunicação, em especial no jornalismo, nos próximos dois posts desta série nós vamos trazer 10 exemplos do bom uso dos vídeos em 360 graus para contar histórias jornalísticas.

Nessas produções será possível perceber diversos elementos citados nas publicações anteriores, como o sentimento de presença, o realismo e a interatividade, por exemplo. Vale ressaltar que, se possível, é recomendado assistir aos vídeos a seguir com um óculos de realidade virtual, pois, como falamos no post sobre imersão em RV, ele proporciona uma maior imersão nas narrativas. Confira abaixo os cinco primeiros vídeos da nossa lista.

1. The Displaced

Sem dúvida, uma das principais reportagens feitas em vídeo 360 graus é a The Displaced, uma parceria do New York Times com a VRSE.works. Nesse mini documentário você vai conhecer um pouco mais da história de três crianças que foram deslocadas de suas casas por conta de guerras. A produção, feita em 2015, foi indicada para vários prêmios e ganhou o Grand Prix para dispositivos móveis no Festival de Cannes.

2. The Fight for Falluja

Outro trabalho em vídeo 360 graus de destaque feito pelo New York Times é o The Fight for Falluja. Esse mini documentário de onze minutos mostra aos espectadores como é a batalha dos soldados iraquianos contra o Estado Islâmico na cidade de Faluja. O vídeo foi escrito, dirigido e editado pelo jornalista Ben Solomon, vencedor de um Prêmio Pulitzer.

3. Clouds Over Sidra

Seguindo essa mesma temática da guerra, outro impactante vídeo em 360 graus é o Clouds Over Sidra. Gravado em 2015 pelos diretores Gabo Arora e Chris Milk, em uma parceria da Samsung com as Nações Unidas, este curta nos apresenta Sidra, uma menina síria de 12 anos que mora com a sua família em um campo de refugiados na Jordânia.

4. Behind the Fence

Fruto de uma parceria entre o Huffington Post e a RYOT, o Behind the Fence é um mini documentário em 360 graus dirigido por Lindsey Branham e Jonathan Olinger. Este vídeo mostra como é a vida de pessoas de origem muçulmana rohingyas em um campo de concentração em Mianmar, país onde são perseguidos pela maioria budista e não são considerados cidadãos.

5. Inside Hurricane Maria

Em 2017, o Furacão Maria atingiu diversas ilhas no Caribe. Para mostrar como essa tempestade passou da categoria 1 à categoria 5 em 24 horas, a NASA pela primeira vez fez um vídeo em 360 graus com animações 3D. Nele é possível ver como o furacão se intensificou nesse curto período de tempo (levando o espectador até o olho da tempestade) e porque o Maria causou tanta destruição.

Inclusão de legendas no vídeo: “P&D-Brasil-Mundo”

Por Renan Costa Laiz

O vídeo “P&D-Brasil-Mundo”, produzido por Giulia Ebohon e Daniel Dieb, trata sobre os investimentos feitos pelo Brasil e por outros países em pesquisa e desenvolvimento (P&D), ou research and development (R&D), em inglês.

Hospedado na plataforma Wikimedia Commons, o vídeo acaba de receber legendas tanto em português, quanto em inglês, que também foram feitas pela equipe de difusão científica do NeuroMat.

A inserção de legendas em inglês (que é considerado uma língua universal) se faz importante na medida em que aumenta o alcance do vídeo, que passa a ser acessível para todos os falantes do idioma. Mais do que incluir legendas em inglês, a inserção de legendas em português também se faz importante na medida que torna o vídeo acessível para pessoas com problemas auditivos, além de tornar o vídeo mais claro para todos aqueles que o assistem.

Realidade Virtual e Jornalismo Imersivo

*Por Thais May Carvalho

Nas publicações anteriores do blog nós falamos sobre realidade virtual (RV) e jornalismo imersivo. Mas, afinal de contas, quando essas duas áreas se encontraram?

É importante dizer que nenhuma delas é particularmente nova, o que há de novidade é a união de ambas. Enquanto a RV já era amplamente usada com outros fins, com destaque para os video games, o jornalismo imersivo tem suas raízes no New Journalism, um fenômeno dos anos 60 que ampliou a utilização de técnicas da literatura na área jornalística.

De acordo com vários estudos, o ponto de partida do uso da realidade virtual para fins jornalísticos aconteceu por volta de 2010, com a jornalista norte-americana Nonny de la Peña, que é considerada a madrinha desse tipo de produção. Dentre seus trabalhos de destaque pode-se citar o Hunger in Los Angeles, o Project Syria e o Use of Force. Os três são reproduções feitas em animação 3D que colocam o espectador como observador em primeira pessoa dos respectivos acontecimentos.

No entanto, o uso em maior escala da RV no jornalismo só veio em meados de 2015, pois foi nessa época que grandes empresas, como Google, Facebook, Samsung e Youtube, por exemplo, começaram a investir na área. Por conta disso, essa tecnologia ficou mais acessível, e assim grandes veículos de comunicação passaram a produzir bastante conteúdo em RV, especialmente vídeos em 360 graus.

Mas essas grandes empresas jornalísticas, como New York Times, National Geographic, Discovery, Clarín, The Guardian, entre tantas outras, não investiram na produção em realidade virtual a toa. Eles enxergaram nessa tecnologia a sua grande capacidade imersiva (sobre a qual nós falamos em mais detalhes no post Imersão no Jornalismo e em Realidade Virtual) e a possibilidade de reaproximar as narrativas jornalísticas do público jovem (de até 30 anos de idade), que, segundo alguns estudos, se encontra desengajado e fragmentado.

Inclusão de legendas no vídeo: “Mulheres e produção científica”

Por Renan Costa Laiz

O vídeo “Mulheres e produção científica”, produzido por Giulia Ebohon e Daniel Dieb, traça o perfil dos pesquisadores brasileiros com recorte de gênero.

Hospedado na plataforma Wikimedia Commons, o vídeo acaba de receber legendas tanto em português, quanto em inglês, que também foram feitas pela equipe de difusão científica do NeuroMat.

A inserção de legendas em inglês (que é considerado uma língua universal) se faz importante na medida em que aumenta o alcance do vídeo, que passa a ser acessível para todos os falantes do idioma. Mais do que incluir legendas em inglês, a inserção de legendas em português também se faz importante na medida que torna o vídeo acessível para pessoas com problemas auditivos, além de tornar o vídeo mais claro para todos aqueles que o assistem.

Inclusão de legendas no vídeo: “Pesquisa e desenvolvimento”

Por Veronica Stocco

Investir em ciência é investir em conhecimento. O desenvolvimento de novas técnicas e materiais depende do resultado de pesquisas aplicadas, que por sua vez se baseiam em pesquisas de base. 

Entretanto, a diferença e importância das mesmas nem sempre são tão claras. Utilizando um exemplo palpável – a invenção do rádio -, o vídeo “Pesquisa e desenvolvimento“, de autoria de Daniel Dieb, ilustra o tópico de forma clara e acessível.

Tendo a acessibilidade a esse conteúdo em mente, a equipe de difusão científica do NeuroMat acaba de inserir legendas (tanto em português, quanto em inglês) no vídeo, que está hospedado na plataforma Wikimedia Commons.

Uma breve introdução à Neurociência Computacional – parte II de III

O texto abaixo, de autoria de Samhita Alla e Vihar Kurama, é a continuação da tradução do artigo original, que pode ser encontrado aqui.

  1. Células neurais, anatomia e personalidade elétrica de neurônios

Para ter um entendimento claro de como o cérebro funciona e de como somos capazes de compreender o mundo ao nosso redor, vamos estudar a unidade primária do cérebro, os neurônios. Eles são as unidades computacionais do cérebro humano.

O cérebro pode ser dividido em unidades discretas individuais chamadas de neurônios. Existem muitos formatos possíveis para neurônios. Por exemplo, no córtex visual, o neurônio é piramidal. No cerebelo, eles são chamados de células de Purkinje. 

Estrutura dos neurônios

Um neurônio consiste de três partes principais chamadas de corpo celular, dendrito e axônio. O corpo celular é o corpo da célula. Os dendritos são a parte que recebe sinais dos neurônios, enquanto os axônios são a parte que libera sinais. Logo, o sinal recebido pelos dendritos provém dos axônios do neurônio adjacente. Esses sinais levam a um Potencial pós-sináptico excitatório (EPSP), e quando há uma combinação com vários outros neurônios, ele gera um potencial de ação, ou um disparo. Esse disparo só ocorre quando o estímulo ultrapassa um determinado limiar.

(Retirada de: Khan Academy)

Os neurônios podem ser definidos como uma “bolsa de líquido com carga elétrica que vaza”. Como essas substâncias químicas surgiram? É algo crucial que muitos de nós não sabem. Neurônios funcionam à base de íons, e reações químicas são as responsáveis por todos os disparos e sinapses. Nós realmente temos Na+, Cl-, K+, et al. em nossos cérebros. Fascinante, não é mesmo?

O conteúdo de um neurônio está encapsulado dentro de uma bicamada lipídica. Em termos simples, lipídio é uma “gordura”. Essa bicamada é impermeável aos íons carregados, como Na+, K+, Cl-, et al. Então como esses íons se movimentam entre os neurônios? Para responder isso, vamos falar um pouco sobre canais iônicos. 

Canais Iônicos

Os canais iônicos permitem a passagem desses íons. Em outras palavras, que eles entrem e saiam dos neurônios. Isso resulta em uma diferença de potencial que existe entre a parte interior e exterior do neurônio. O potencial interno é -70mv em relação ao exterior

O potencial de membrana (Fonte: Khan Academy)

Temos Na+ e Cl- do lado de fora, enquanto K+ e ânions orgânicos negativos estão no interior de um neurônio. O contrário também é possível, mas as concentrações iônicas são menores nesse caso, como representado na figura abaixo.

O tamanho das letras é proporcional à concentração dos íons. (Fonte: Khan Academy)

Então como o potencial sempre é -70mv? Isso se mantém pelo fluxo de entrada de saída de íons dos neurônios. Os átomos de Na+ são expulsos da célula, enquanto os de K+ são levados para dentro dela. Os canais iônicos somente permitem a passagem de íons específicos e podem ser classificados como três tipos distintos de canais:

  • Os cuja probabilidade de abertura depende da voltagem da membrana;
  • Os cuja ligação a um átomo ou molécula leva à sua abertura;
  • Os cuja pressão ou ações mecânicas causam sua abertura.

Neurotransmissão

A neurotransmissão é a interação que ocorre entre os neurônios quando há uma passagem de sinais. Os canais discutidos acima permitem que a neurotransmissão ocorra.

  • Inicialmente, o sinal de outros neurônios ativa os canais cuja abertura depende da ligação à alguma molécula ou íon. Isso abre os canais, levando à mudanças no potencial de membrana. 
  • Isso leva à abertura/fechamento dos canais que dependem da voltagem da membrana, resultando na despolarização (mudança positiva na voltagem) e hiperpolarização (mudança negativa na voltagem). A repolarização é quando a célula é levada de volta ao seu potencial usual.
  • Uma despolarização forte o bastante resultará em um disparo, ou potencial de ação. 
  • Isso abre os canais de sódio, e é seguido por uma rápida entrada de sódio, o que leva à abertura de mais canais, o que eventualmente leva à inativação dos mesmos.
  • Quando os canais de sódio lentamente começarem a inativar, a saída de potássio restaura o potencial de membrana, ou os canais de potássio se abrem, diminuindo o disparo. Essa é a repolarização.
  • Após isso, a carga elétrica da célula se torna mais negativa, já que os canais de potássio permanecem abertos, e continuam a deixar que íons positivos saiam do neurônio. Isso é chamado de hiperpolarização. 
  • Conforme os canais de potássio se fecham, a bomba de sódio-potássio entra em ação para re-estabelecer o estado basal da célula. 
  • Após a geração do disparo, ele é propagado ao longo do axônio. 
  • Ao longo do axônio, os canais de sódio se abrem, causando um potencial de ação, que é seguido pelo fechamento dos canais de sódio e abertura dos de potássio, o que leva à queda do potencial de ação.

 

O acervo digital da Matemateca

Por Veronica Stocco

A Matemateca, localizada no Instituto de Matemática e Estatística da USP, surgiu em 2003, com um intuito claro: tornar o aprendizado de matemática mais interativo, divertido e de fácil compreensão.

O caminho para isso? Confeccionar objetos interativos, que mostrassem como a matemática pode sair do papel e ser colocada em ação. As primeiras obras do acervo começaram a ser criadas naquele mesmo ano. E ele só cresceu com o passar do tempo. Os objetos da Matemateca podem ser vistos em exposições anuais, e também mini-exposições dentro e fora da USP. Além de servir como ferramenta educacional, que pode inspirar professores a utilizar formas diferentes de explicar conceitos teóricos, os objetos criativos da Matemateca também instigam a imaginação de pessoas de todas as idades.

Visando aumentar ainda mais o alcance desse acervo, a equipe de difusão do CEPID NeuroMat, juntamente ao Grupo de Usuários da Comunidade Wikimedia no Brasil, se uniu à Matemateca para criar um GLAM da mesma. Até o momento, 327 imagens com licenças livres foram carregadas no Wikimedia Commons.

As imagens em alta resolução do acervo agora ilustram diversos verbetes da Wikipédia. Mas, mais do que isso, elas agora podem atingir um público ainda maior, e esperamos que assim a produção da Matemateca possa estimular e instigar mais pessoa a se interessar pela matemática.