Da teoria à empiria: um exemplo na literatura acadêmica

*Por: Carolina Salles Carvalho

Depois de me aprofundar no conceito de interseccionalidade e compreendê-lo no contexto da comunicação, busquei artigos que trouxessem exemplos de como esse alicerce teórico foi usado para a compreensão de produtos midiáticos. Destaco aqui, um dos artigos encontrados, escolhido por fazer uma leitura de um episódio de podcast, mídia que também é tema do meu primeiro artigo em construção, usando a interseccionalidade como teoria de apoio.  

Em um artigo sobre maternidade e feminismo interseccional, produzido a partir do podcast Mamilos, foi feita a análise de um episódio em particular, intitulado “Mães e Tabus”, publicado em maio de 2018 e com duração de uma hora e quarenta minutos. Nele, as apresentadoras do programa convidam duas mães e ativistas em direitos humanos – uma negra e outra branca – para debater pontos considerados espinhosos sobre o tema.

O recorte escolhido para essa publicação partiu do caminho metodológico trilhado por uma das autoras para a produção da sua dissertação de mestrado. No trabalho acadêmico original, ela ouviu a todos os episódios do podcast, atentando-se para temáticas e situações que se repetiam, sendo que, por fim, escolheu como objeto de estudo seis que abordavam, especificamente, a maternidade.

Durante todo o artigo, são destacados, majoritariamente, trechos ditos pela convidada negra, entremeados por citações de autoras que são referência na produção acadêmica sobre gênero, na luta feminista e, num afunilamento, para o movimento feminista negro, como María Lugones, Judith Butler e Audre Lorde.

Dentre os temas apresentados estão violência intrafamiliar, conflitos geracionais, assédio sexual, abandono parental, sobrecarga de funções relacionada à maternidade, desumanização da mulher negra e erotização das garotas negras. Também ganha destaque no episódio, a importância de orientar as meninas para o enfrentamento do machismo e do racismo desde muito cedo, em um equilíbrio tênue que tenta, concomitantemente, preservar a ingenuidade da infância e prepará-las para as violências cotidianas relacionadas a estas duas searas.

Embora tenha sido pautado em um único episódio, é interessante compreender que escolhas metodológicas são realizadas para o estudo de podcast, a partir da teoria da interseccionalidade.

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