Divulgação científica no Brasil pelo olhar dos cientistas

*Por Thais May Carvalho

A partir da leitura de artigos sobre a divulgação científica (DC) no Brasil, é possível perceber que existe uma insatisfação sobre a sua qualidade. Uma pesquisa feita em 2016 por Luisa Massarani e Hans Peters com quase mil cientistas brasileiros mostra a perspectiva desses profissionais acerca da DC no país e da sua interação com jornalistas da área.

De forma geral, os entrevistados concordam que os cientistas devem comunicar suas pesquisas de forma interessante e que seja compreensível para todos, podendo até fazer paralelos entre a sua pesquisa e a vida das pessoas. Além disso, eles acreditam que, por conta do conhecimento que possuem, devem opinar sobre as decisões (sejam elas políticas, econômicas, entre outras) que tenham relação com a sua área.

Apesar de dizerem nesse estudo que não gostam de dedicar muito tempo aos jornalistas, como um todo, os cientistas avaliam sua interação com os mesmos de uma forma positiva e, em sua maioria, acham que a cobertura da imprensa sobre sua pesquisa tem um efeito positivo sobre ela. 

Eles também afirmam que deveriam ser consultados antes da publicação da matéria que participaram para evitar erros. Além disso, eles gostariam que os repórteres evitassem o comprometimento das informações, que a mídia ajudasse na educação científica da população e que, além dos resultados das pesquisas, também fossem mostrados os métodos e processos científicos, para que as pessoas pudessem compreender as razões pelas quais a ciência é feita. No entanto, os pesquisadores acreditam que nenhuma dessas expectativas é atendida pelas atividades de DC no Brasil e que a cobertura sobre ciência não é precisa.

Outro dado interessante apontado pela pesquisa de Massarani e Peters é o da relação do cientista com o público geral. Os entrevistados acreditam que quanto maior o conhecimento das pessoas, mais positiva é a sua atitude em relação à ciência, por isso eles dizem que se comunicar com o público, tratando-o como igual, é uma parte importante do dever científico. No entanto, ao contrário do desejo da população de participar das decisões científicas, como foi apontado na pesquisa “Percepção Pública da C&T no Brasil”, os cientistas rejeitam a ideia do público ter algum tipo de poder no que diz respeito à política relacionada à ciência.

Referência Bibliográfica: MASSARANI, Luisa; PETERS, Hans. Scientists in the public sphere: Interactions of scientists and journalists in Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 88, n. 2, p. 1165-1175, 2016.

Pesquisa sobre a percepção do brasileiro em relação à Ciência e Tecnologia

*Por Thais May Carvalho

Em julho de 2019, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos publicou a pesquisa “Percepção Pública da C&T no Brasil”. Esse estudo revelou alguns dados interessantes sobre o que a população brasileira pensa sobre as pesquisas científicas e os cientistas.

Realizada com 2200 brasileiros de 16 a 76 anos de idade de todas as regiões do país, a pesquisa apontou que existe uma grande distância entre o interesse da população em relação a assuntos ligados à ciência e tecnologia e a quantidade de informação que ela consome sobre esses mesmos temas. 79% apontou se interessar por medicina e saúde, 76% se interessa pelo meio-ambiente e 62% se interessa especificamente por C&T. No entanto, menos de 15% afirmou que consome esse tipo de conteúdo frequentemente, seja por meio da televisão, da internet ou de qualquer outro meio de comunicação. Esse último dado pode estar ligado com a qualidade da cobertura sobre C&T no país, pois 82% disseram que a maior parte das pessoas seria capaz de compreender conceitos científicos se os mesmos fossem bem explicados.

Outro dado interessante mostra que o brasileiro tem uma visão positiva da ciência e ele considera que os seus benefícios são maiores do que os riscos. Por conta disso, 86% dos entrevistados afirmam a C&T é essencial para o desenvolvimento da indústria e 58,5% dizem que essa área é importante para a erradicação da pobreza e da fome.

Além disso, a pesquisa revelou que a população deseja ter maior participação na ciência. 83% dos entrevistados afirmaram que as pessoas deveriam ser ouvidas nas grandes decisões que estão relacionadas à ciência e tecnologia. Apesar desse desejo, a maior parte deles não aparenta ter grande conhecimento sobre a área acadêmica, tendo em vista que 90% não se lembrou do nome de um cientista brasileiro e 88% não soube citar uma instituição de pesquisa.

Mais um ponto interessante levantado por esse estudo foi o da imagem que o cientista tem no imaginário popular. Para 41% dos entrevistados, os cientistas são pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade. Ao mesmo tempo, 84,5% também acreditam que eles podem ser perigosos por conta do conhecimento que possuem.

Para ver a pesquisa completa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, clique aqui.

Publicação do vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Arthur Valencio”

*Por Thais May Carvalho

Acaba de ser publicado no YouTube o vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Arthur Valencio”. Esse é o terceiro vídeo da série, que conta com a participação de vários outros pesquisadores que integram o grupo do CEPID NeuroMat.

Arthur é pós-doutorando na Universidade de Campinas, sob a orientação da professor Jorge Stolfi, e desenvolve sua pesquisa dentro do NeuroMat há um ano e meio. Desde 2019, ele também trabalha em parceria com o Hospital das Clínicas.

O seu campo de estudo está relacionado com a doença de Parkinson, pois ele quer verificar como se dá a comunicação entre as partes do cérebro em pessoas que tiveram um eletrodo implantado para diminuir os tremores relacionados à doença.

Nesse vídeo de quatro minutos, Arthur irá falar sobre que partes do cérebro são afetados pelo Parkinson, como é o seu protocolo experimental e os resultados preliminares a partir do que já foi coletado.

Publicação do vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Fernanda Torres”

*Por Thais May Carvalho

Acaba de ser publicado no YouTube o vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Fernanda Torres”. Esse é o segundo vídeo da série, que conta com a participação de vários outros pesquisadores que integram o grupo do CEPID NeuroMat.

Fernanda é doutoranda do Programa de Fisiologia do IBCCF/UFRJ, sob a orientação da professora Cláudia Vargas. Ela também é integrante da equipe ABRAÇO, que fica sediada no Rio de Janeiro. Lá, os pesquisadores trabalham com estudos relacionados à lesão do plexo braquial.

Dentro desse campo, Fernanda faz sua pesquisa voltada para entender como funciona a comunicação cerebral nas pessoas com que sofreram a lesão do plexo braquial (comparando com aquelas que não tem a lesão). Mais especificamente, ela vê como acontece a comunicação no momento em que há uma entrada sensorial e uma resposta motora.

Nesse vídeo de quatro minutos, Fernanda irá falar sobre a hipótese da sua pesquisa, o experimento que utiliza o equipamento de estimulação magnética transcraniana e a utilização do InVesalius (um software livre criado pela equipe do NeuroMat).

Para produzir esse vídeo, um dos integrantes da área de difusão científica do NeuroMat viajou até o Rio de Janeiro, onde visitou o Instituto de Neurologia Deolindo Couto e conheceu os pesquisadores da equipe ABRAÇO.

Publicação do vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Luiggi Lustosa”

*Por Thais May Carvalho

Acaba de ser publicado no YouTube o vídeo “Meet NeuroMat Researcher: Luiggi Lustosa”. Esse é o primeiro vídeo da série, que contará com a participação de vários outros pesquisadores que integram o grupo do CEPID NeuroMat.

Luiggi é doutorando do Programa de Fisiologia do IBCCF/UFRJ, sob a orientação da professora Cláudia Vargas. Ele também é integrante da equipe ABRAÇO, que fica sediada no Rio de Janeiro. Lá, os pesquisadores trabalham com estudos relacionados à lesão do plexo braquial.

Dentro desse campo, Luiggi faz sua pesquisa na área da cinemática, que consiste, basicamente, no estudo sobre os movimentos dos corpos. Ele utiliza essa técnica para tentar compreender as consequências motoras da lesão do plexo braquial.

Nesse vídeo de três minutos e meio, Luiggi irá falar um pouco mais sobre o conceito da cinemática e os experimentos relacionados ao movimento que eles fazem com o auxílio de câmeras de infravermelho.

Para produzir esse vídeo, um dos integrantes da área de difusão científica do NeuroMat viajou até o Rio de Janeiro, onde visitou o Instituto de Neurologia Deolindo Couto e conheceu os pesquisadores da equipe ABRAÇO.

Educação em saúde nos grupos de apoio online

Por Matheus Cornely

Conforme os grupos de apoio online se disseminam pela rede, tornam-se necessárias mais pesquisas científicas para avaliar seu potencial terapêutico e os  riscos trazidos por essa forma de interação. De acordo com os pesquisadores Marsha White e Steve M. Dorman, autores do artigo “Receiving social support online: implications for health education”, a discussão em torno do tema também implica em verificar se essas “comunidades” se enquadram nos critérios de reciprocidade, deveres em comum e suporte interpessoal. 

Segundo os autores, em comparação aos encontros presenciais, “ainda que os participantes não compartilhem do mesmo espaço físico, eles compartilham interesses e experiências”, o que é um requisito mínimo para a formação de comunidades em que a base é constituída por laços de confiança entre seus membros.

Entre os benefícios da plataforma digital, podemos destacar a ausência de barreiras geográficas, facilidade do acesso a qualquer horário, acessibilidade para pessoas com problemas motores, auditivos ou de fala, anonimato – o que permite a discussão de assuntos constrangedores com mais liberdade – e a diversidade de perspectivas. Além disso, o status social, questões de gênero, raça e aparência em geral, costumam ser menos relevantes nesses ambientes virtuais à primeira vista.

Contudo, os autores atentam para o fato de que o uso das plataformas digitais não está imune a limitações, relacionadas não só ao poder aquisitivo para obter acesso a internet e a um computador – excluindo assim minorias dos ambientes virtuais -, mas, inclusive, no letramento tanto em termos de leitura e escrita quanto digital. E mesmo para os letrados, as mensagens escritas estão sujeitas a más interpretações, uma vez que não contam com o auxílio da linguagem corporal ou do tom de voz, o que pode ser contornado com emojis e memes, por exemplo.

Eles também ressaltam que, entre os estudos citados, uma preocupação constante dos pesquisadores está na transmissão de informações médicas perigosas ou imprecisas na comunidade, embora elas tenham a tendência de se autocorrigir. De acordo com dados recolhidos após 3 meses em um grupo de apoio de distúrbios alimentares online, o pesquisador  Andrew Winzelberg aponta que as correções costumam ocorrer após uma ou duas semanas. Em outro estudo, conduzido por Culver, Gerr, Frumkin (1997) em um grupo de pessoas com mãos e braços em condições dolorosas, eles relataram que mais de um terço das 1658 mensagens analisadas sobre o tópico da saúde, enviadas no boletim eletrônico, indicavam tratamentos não-convencionais.

Assim, para a pesquisa sobre as redes sociais e os grupos de apoio de pessoas com lesão no plexo braquial, o artigo em pauta é importante porque ajuda a identificar as limitações do potencial terapêutico nas comunidades. Portanto, embora a livre circulação de informações nos grupos de apoio seja benéfica em grande medida, até porque oferece suporte emocional e  esclarecimento sobre a condição de saúde de seus membros, também é necessário desempenhar um papel de filtragem para prevenir a disseminação de informações falsas e construir uma educação em saúde de forma comunitária e cientificamente correta.  

Referências bibliográficas

White, M. H. and Dorman, S. M. (2001) Health Education Research, Volume 16, Issue 6, December 2001, Pages 693–707.

Culver, J. D., Gerr, F. and Frumkin, H. (1997) Medical information on the Internet: a study of an electronic bulletin board. Journal of General Internal Medicine , 12, 466–470.

Winzelberg, A. (1997) The analysis of an electronic support group for individuals with eating disorders. Computers in Human Behavior , 13, 393–407.

Encontros no NeuroMat: Osame Kinouchi compartilha sua pesquisa sobre atividades neuronais espontâneas

 

*Por Thais May Carvalho

No último dia 12 de junho, o professor Osame Kinouchi Filho veio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto até a sede do CEPID NeuroMat, no campus da USP em São Paulo, para nos contar sobre a sua mais recente pesquisa: Self-organized critical balanced networks: a unified framework. Esse artigo foi feito em colaboração com os pesquisadores Mauricio Girardi-Schappo, Ludmila Brochini, Ariadne Costa e Tawan Carvalho.

Doutor em física e professor da USP de Ribeirão Preto, Osame está associado ao NeuroMat desde 2015, quando Antonio Carlos Roque da Silva Filho, um dos investigadores associados do núcleo, o convidou para integrar a equipe. Naquela época, Kinouchi já trabalhava com os neurônios estocásticos (também conhecidos como neurônios probabilistas), um modelo desenvolvido pelos professores Antonio Galves e Eva Löcherbach, dois dos principais pesquisadores do NeuroMat.

Porém, Osame e a sua equipe têm uma abordagem voltada mais para a área da física estatística, enquanto as pessoas da sede em São Paulo se concentram na parte mais rigorosa dos teoremas e da matemática.

O artigo mais recente de Kinouchi, publicado em junho de 2019 e tema da sua última palestra no NeuroMat, fala sobre a atividade neural espontânea, ou seja, quando os neurônios estão ativos mesmo sem receber estímulos externos. Osame explica que algumas dessas atividades espontâneas da rede são responsáveis por determinadas patologias, dando como exemplo a epilepsia.

Nessa pesquisa, criando simulações com neurônios simplificados, foi possível notar que num determinado ponto dentro do Modelo de Brunel (mais especificamente no ponto-balanceado) existem avalanches neuronais, que é um tipo de atividade que segue a mesma lei de terremotos de Gutenberg-Richter.

Para Osame, isso significa que dois grupos que não se comunicam entre si, que são a comunidade de redes balanceadas (grupo de cientistas que segue o Modelo de Brunel e não pesquisa as avalanches neuronais) e a comunidade de redes críticas (grupo de cientistas que trabalha com a rede de avalanches), agora podem se unir em torno desse novo modelo, que mostra que ambos paradigmas, na verdade, se juntam em um só.