O acesso aos grupos de apoio no WhatsApp

Participar em grupos do WhatsApp é comum. O app conta com cerca de 1.5 bilhões de usuários em 183 países. Apenas no Brasil são registrados 120 milhões de usuários, representando uma parcela imensa da nossa população, apesar da possibilidade de usuários com mais de uma conta registrada.

Uma das funcionalidades mais importantes do aplicativo são os grupos. Se você for um usuário do aplicativo, e provavelmente você é, é comum participar diariamente de grupos na rede social. Da mesma forma que utilizamos grupos no WhatsApp para conversar com a família, colegas de trabalho, amigos ou hobbies, existem pessoas que utilizam a rede social para fins de instrução e terapia.

Grupos de apoio virtuais também existem no WhatsApp, mas são relativamente pouco estudos talvez pela dificuldade de acesso. Para participar de um grupo de apoio no WhatsApp é necessário um convite ou um link de acesso. Essa condição de acesso geralmente cria a necessidade de se participar em outro grupo para se ter acesso ao grupo de WhatsApp. Não é incomum ver grupos de apoio virtuais que, para além de um fórum ou grupo do facebook, mantém comunicações a partir do WhatsApp. Membros de um grupo de apoio sobre a lesão do plexo braquial, por exemplo, mantém comunicações tanto no Facebook quanto no WhatsApp, e se dividem entre estes dois espaços cohabitados.

Diferentemente de outras redes sociais, como o Facebook ou o Reddit, o WhatsApp não possui um mecanismo de pesquisa próprio para procurar grupos. Por conta disso, a pesquisa e acesso aos aos grupos localizados nessa rede social é dificultado. Aparentemente, a forma mais fácil de encontrar grupos de apoio no WhatsApp é através de outras redes sociais que servem como ponto de entrada para esses grupos.

COVID-19 e a fisioterapia na quarentena

A entrada em isolamento social por conta do COVID-19 afetou os brasileiros de forma geral, mas afetou de forma mais específica quem tem lesão do plexo braquial ou outras condições que requerem reabilitação através da fisioterapia. Durante os meses mais duros de isolamento, muitos pacientes deixaram de ir para a fisioterapia para se preservarem diante da pandemia.

A solução encontrada, em parte dos casos, foi a realização das atividades em casa, muitas vezes carecendo de instrumentos adequados para a realização dos exercícios. Além disso, a falta de acompanhamento de um profissional fisioterapeuta dificulta o acompanhamento e as mudanças na rotina e nos exercícios, podendo dificultar a obtenção de progressos.

Para os lesionados que começaram as atividades agora e que ainda não estão familiarizados com todos os exercícios, é mais difícil ficar por conta própria. A comunidade de pessoas com lesão do plexo braquial no YouTube, felizmente, conta com pessoas que disponibilizam vídeos de exercícios para a reabilitação que podem, nesse momento de dificuldade e restrições, ajudar quem sofre da lesão.

Quando a lesão do plexo braquial é questão de segurança do trabalho

Participar de grupos de lesão do plexo braquial no Facebook abre caminhos para se investigar de perto quem são essas pessoas e perguntar diretamente sobre questões que, geralmente, ficam de fora dos estudos epidemiológicos sobre a LTPB.

Ainda que a questão dos acidentes de motocicleta, por um lado, seja recorrente nos relatos médicos em estudos epidemiológicos, a situação em que esses acidentes ocorrem fica de fora. Por conta disso, procurei estabelecer diálogos com os participantes desses grupos, em específico os que sofreram acidentes de motocicleta, sobre o que eles estavam fazendo quando sofreram a lesão.

Dois tipos de resposta se destacaram bastante. Haviam aqueles que se acidentaram durante o horário de trabalho e aqueles que se acidentaram depois do horário de trabalho. Boa parte deles utilizavam a motocicleta para trabalhar.

Destaca-se algo nesses dois tipos de relato: existe um durante e um depois (do trabalho), mas (quase) não existe um antes. Essa coincidência poderia ser lida como mera contingência, porém existe outra possibilidade de interpretá-la que depende de uma reflexão sobre as condições de trabalho e sobre a questão do cansaço e estresse.

Um durante e um depois implica refletir sobre a rotina das pessoas que trabalham com a motocicleta e permite levantar, como problema, as relações entre determinações postas pelo trabalho e, por exemplo, o aumento de acidentes de motocicleta (cerca de 17,7% em 2018, de acordo com a CET), justamente no ano do boom dos aplicativos de entrega.

Web seminários do NeuroMod e do NeuroMat – Modelagem estocástica dos sistemas de neurônios em interação

*Por Fernanda Volchan Cruz

Uma das minhas tarefas como bolsista do NeuroMat foi participar da edição de vídeos de alguns seminários online do NeuroMat/Neuromod. A edição constituía em uma limpeza dos vídeos, retirando os ruídos e tornando-os mais claros e sucintos aos expectadores.

O quarto seminário que editei chama-se “Modelagem estocástica dos sistemas de neurônios em interação”, ministrado por Eva Löcherbach, da Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, e Christophe Pouzat, da Université Paris Descartes.

Nesta apresentação,  Löcherbach e Pouzat revisaram as principais fontes de variabilidade e estocástica, tanto no nível de um único neurônio quanto no nível de comunicação entre neurônios (sináptico). Eles apresentaram em detalhes um modelo que é: simples o suficiente para permitir uma investigação matemática completa; fácil de simular exatamente enquanto exibe propriedades macroscópicas interessantes.Encontre outros detalhes sobre este seminário e os outros da série aqui: https://neuromat.numec.prp.usp.br/content/nmweb/

Grupos de apoio virtuais podem melhorar a adesão ao tratamento?

É comum que, no dilema entre grupos presenciais e grupos virtuais, principalmente no âmbito da saúde, existam desconfianças sobre o engajamento provocado pela participação nesses grupos. Um dos questionamentos comuns é definir até que ponto grupos de apoio virtuais aumentam a adesão ao tratamento.

Grupos de apoio dão maior relevância para o conhecimento advindo da prática com a própria condição – seja ela um estigma, vício ou doença. Grupos presenciais podem ter redes de assistência voltados para construir alianças com outras formas de intervenções terapêuticas ou tratamento, mas haveria medo sobre isso não ocorrer em grupos virtuais.

Pode-se afirmar que grupos de apoio virtuais, em geral, não possuem essas parcerias, mas isso não os impede de promover a adesão ao tratamento. É comum ver participantes realizando recomendações de profissionais, enfatizando – no caso de doenças crônicas e deficiências – o papel decisivo dos psicólogos ou recomendando profissionais da saúde para outros membros em postagens.

Muitas vezes as experiências relatadas pelos membros com o tratamento e os benefícios da adesão são tomados como motivadores por outros membros do grupo. Como um espaço de troca de narrativas, relatos de pessoas que seguiram o tratamento e obtiveram melhoria na qualidade de vida são comuns. Como um espaço de troca de informações, os membros dos grupos são ajudados a tomar decisões mais informadas sobre o rumo dos seus processos terapêuticos individuais, optimizando resultados, também, nos grupos de apoio virtuais.

Cabe, mesmo assim, apontar a possibilidade de existência de informações de baixa qualidade ou pouco rigorosas, a existência de comentários autodepreciativos e narrativas de pessoas que não conseguem lidar com sua situação. São situações que existem e que podem ser negativas para aqueles que buscam a recuperação nos grupos de apoio virtual.

Nos grupos de lesão do plexo braquial houveram relatos de membros que descobriram cirurgias para as dores neuropáticas que desconheciam. Inspirados pelas publicações de outros membros do grupo que fizeram a cirurgia, muitos se mostraram animados a procurar a mesma intervenção.