#07 Diário de bordo: Reestruturação da Vitrine NeuroMat

*Por Camilla Tsuji Oviedo Lopes

Hoje realizei a última reunião sobre a Vitrine NeuroMat com a Érika Guetti Suca. Como a minha bolsa já está chegando ao fim, discutimos os últimos detalhes sobre a página e atualizamos os dados de “impacto social“.

Desde 2013 até o dia atual, as pesquisas realizadas pela rede de pesquisadores do CEPID NeuroMat possuem o Altmetric Score total de 1402.96. Este score é composto por 4849 leitores – através das plataformas Mendeley, CiteULike e Connotea, 1155 menções no Twitter, 7 menções no Reddit, 123 menções em sites de notícias, 39 menções em blogs (acadêmicos e gerais), 1435 diferentes perfis de fonte de dados, 70 menções em páginas do Facebook, 15 menções no Google+, 3 menções em sites de upload de vídeos.

Ainda neste mês, algumas informações serão atualizadas, mas a Vitrine NeuroMat pode ser visualizada através do link: https://vitrine.numec.prp.usp.br

No Brasil, não tem nada que não passe pela colonização

*Por: Monique Sampaio

Escrevendo sobre a história do jornalismo científico no Brasil um pensamento me ocorreu: não tem nada aqui que não passe pela colonização. Questões de marginalização econômica, social, política e até científica estão relacionadas ao período colonial.

O pensamento me veio à mente quando, para produzir o artigo, li um trabalho que dizia que a circulação de livros no Brasil só foi permitida no século XIX. Além disso, nos fins daquele século, somente 20% da população sabia ler.

Pensar no ainda hoje deficitário sistema educacional brasileiro não pode deixar de lado esses fatores. Se há um “atraso”, ele tem origem histórica e motivações verdadeiramente violentas que vêm do período colonial.

Por isso, até mesmo para produzir jornalismo científico no Brasil é preciso ter isso em mente. Esse é um país que na maior parte de sua história proibia a circulação de livros. E que ainda hoje exclui sistematicamente grande parte da população, em especial no sentido educacional. Não tem mesmo nada que não venha da colonização.

O processo de escolha de fontes no jornalismo científico

*Por: Monique Sampaio

Escolher uma fonte – isto é, um entrevistado – para o seu trabalho jornalístico acaba por revelar muito sobre o caminho que se quer dar ao texto. No caso do jornalismo científico, existe uma especificidade, que é de se querer, ou não, construir uma ponte com o mundo “externo”.

Durante o processo de escrita do meu trabalho jornalístico, que estou desenvolvendo agora, tenho planejado conversar com acadêmicos e profissionais da área. Por mais que haja, portanto, uma fonte com o mundo externo, não tenho certeza se isso é suficiente para produzir uma comunicação pública da ciência.

Por isso, concluo que os caminhos para produzir um conteúdo mais horizontal não são dados, e isso é interessante, porque há muito mais a explorar. Por outro lado, é um processo moroso e que exije bastante profundidade.

Estudo de redes sociais: o lado da análise discursiva

*Por: Monique Sampaio

Quando conversei com o doutorando Kadmo Laxa, integrante do grupo de Redes Sociais e do CEPID/Neuromat, ele declarou que o ineditismo do trabalho desenvolvido pelo grupo estava no fato de ser uma análise matemática – e não discursiva – sobre as redes sociais.

Para compreender o que é um trabalho de análise discursiva, li o artigo “Hashtag Wars: Political Disinformation and Discursive Struggles on Twitter Conversations During the 2018 Brazilian Presidential Campaign” (SOARES e RECUERO, 2021). O trabalho analisa hashtags de duas datas: 18 de setembro de 2018, e 18 de outubro do mesmo ano, e o seu conteúdo, bem como se de alguma maneira hashtags de espectros políticos opostos se comunicavam.

Apesar de, de fato, o trabalho ser de menor escala, é interessante ter contato com uma análise de conteúdo para compreender de que forma são fabricadas as fake news. Por isso, é importante analisar um objeto em várias perspectivas, uma vez que cada metodologia pode dar uma resposta distinta.

O assunto pode ser o mesmo, mas a comunicação sempre muda.

*Por: Monique Sampaio

Como parte do módulo 4 do curso de jornalismo científico, precisávamos analisar duas matérias jornalísticas sobre um mesmo tema acadêmico. Para o exercício, escolhi duas reportagens, uma do El País e outra da National Geographic que abordavam o descobrimento da reprodução assexuada em aves que tinham parceiros disponíveis para a reprodução, e já haviam se reproduzido sexualmente.

Li o artigo que falava sobre o assunto, e depois as matérias. De forma geral, a reportagem do El País trazia mais negatividade e da National Geographic curiosidade. A escolha de fontes e a construção do texto induziam o leitor a essas sensações.

Por isso, por mais que se trate de um mesmo tema, a comunicação jornalística nunca é igual, porque depende das referências externas de quem produziu a matéria, além de fatores extremamente diversos e complexos. Assim, o assunto pode ser o mesmo, mas a comunicação sempre muda.