Divulgação Científica e Realidade Virtual – Parte 2

*Por Thais May Carvalho

Como mencionado no post “Divulgação Científica e Realidade Virtual – Parte 1”, o objetivo desta publicação é compartilhar trabalhos jornalísticos de destaque que foram feitos em realidade virtual e que estão relacionados com atividades científicas, assim como foi abordado no artigo “Os Desafios da Divulgação Científica: A Realidade Virtual como um Meio De Ampliação das Atividades de Difusão”, que ainda está em processo de submissão em uma revista científica. 

Esse é o segundo post dessa série e, vale ressaltar que, se possível, é recomendado assistir aos vídeos a seguir com um óculos de realidade virtual, pois, como falamos no post sobre imersão em RV, ele proporciona uma maior imersão nas narrativas.

O tema das produções da parte 2 tem a ver com o poder que a RV tem de colocar o espectador dentro de espaços que ele não tem acesso. Confira abaixo os próximos vídeos da nossa lista.

Step Inside the Large Hadron Collider: Essa produção da BBC leva o espectador até o interior do CERN, onde está o maior acelerador de partículas do mundo. Com uma visão 360 graus do local, o vídeo mostra a enorme estrutura que é necessária para realizar este ambicioso projeto de física.

So You Want To Be An Astronaut?: Por meio deste vídeo, a Euronews leva o espectador até um centro de treinamento para astronautas na Alemanha. Ali, uma especialista mostra todos os espaços nos quais os astronautas simulam como seria sua vida no espaço.

Exploring An Underground Dark Matter Lab in 360°: Outro ambiente que geralmente somente cientistas têm acesso é o laboratório de matéria negra SNOLAB, no Canadá. Porém, com esse vídeo em 360 graus feito pela Vice, o público pode ver em todos os ângulos esse grande laboratório subterrâneo.

Polar Obsession 360: Outro local de difícil acesso para o público geral é o mar da Antártida. Por isso, a National Geographic nos mostra como é esse ambiente em 360 graus e ainda acompanha o mergulho do fotógrafo Paul Nicklen nas águas congelantes, que são habitadas por leões marinhos.

This Could Be the Death of Urban Astronomy: A Seeker produziu um vídeo em 360 graus que explica como a luz das cidades está afetando a atividade dos astrônomos. Para isso, ela leva o espectador para dentro de um grande observatório na Califórnia.

Divulgação Científica e Realidade Virtual – Parte 1

*Por Thais May Carvalho

Em junho de 2019, quando entrei para a equipe de difusão do CEPID NeuroMat, mencionei no post “Jornalismo Imersivo Em Vídeos 360 Graus Como Método De Divulgação Dos Processos Científicos: O Novo Projeto Do NeuroMat” que um dos meus objetivos era escrever um artigo para investigar como os vídeos em 360 graus podem funcionar como forma de divulgação científica. 

Este artigo, chamado “Os Desafios da Divulgação Científica: A Realidade Virtual como um Meio De Ampliação das Atividades de Difusão”, está em processo de submissão em uma revista científica, porém, ele tem uma seção que aborda especificamente vídeos jornalísticos feitos em realidade virtual e que estão relacionados com atividades científicas. Esses foram divididos em cinco categorias diferentes e nós vamos falar sobre cada uma delas nos próximos posts do blog.

Esta primeira postagem se refere à categoria preservação da memória e da história, afinal a realidade virtual é capaz de recriar eventos históricos e colocar o espectador no meio deles. Além disso, essa tecnologia permite a criação de “museus virtuais”.

Vale ressaltar que, se possível, é recomendado assistir aos vídeos a seguir com um óculos de realidade virtual, pois, como falamos no post sobre imersão em RV, ele proporciona uma maior imersão nas narrativas. Confira abaixo os primeiros vídeos da nossa lista.

RecoVR: Mosul, a Collective Reconstructive: Esse vídeo é uma parceria entre a The Economist e o Projeto Mosul. Nele, o espectador pode ver um museu virtual com diversas antiguidades que foram destruídas por conta da guerra na Síria.

Inside Auschwitz: Produzido pela WDR, esse vídeo leva a pessoa até o campo de concentração de Auschwitz, enquanto três sobreviventes da Segunda Guerra Mundial contam o que presenciaram durante sua prisão no local.

Divulgação científica no Brasil pelo olhar dos cientistas

*Por Thais May Carvalho

A partir da leitura de artigos sobre a divulgação científica (DC) no Brasil, é possível perceber que existe uma insatisfação sobre a sua qualidade. Uma pesquisa feita em 2016 por Luisa Massarani e Hans Peters com quase mil cientistas brasileiros mostra a perspectiva desses profissionais acerca da DC no país e da sua interação com jornalistas da área.

De forma geral, os entrevistados concordam que os cientistas devem comunicar suas pesquisas de forma interessante e que seja compreensível para todos, podendo até fazer paralelos entre a sua pesquisa e a vida das pessoas. Além disso, eles acreditam que, por conta do conhecimento que possuem, devem opinar sobre as decisões (sejam elas políticas, econômicas, entre outras) que tenham relação com a sua área.

Apesar de dizerem nesse estudo que não gostam de dedicar muito tempo aos jornalistas, como um todo, os cientistas avaliam sua interação com os mesmos de uma forma positiva e, em sua maioria, acham que a cobertura da imprensa sobre sua pesquisa tem um efeito positivo sobre ela. 

Eles também afirmam que deveriam ser consultados antes da publicação da matéria que participaram para evitar erros. Além disso, eles gostariam que os repórteres evitassem o comprometimento das informações, que a mídia ajudasse na educação científica da população e que, além dos resultados das pesquisas, também fossem mostrados os métodos e processos científicos, para que as pessoas pudessem compreender as razões pelas quais a ciência é feita. No entanto, os pesquisadores acreditam que nenhuma dessas expectativas é atendida pelas atividades de DC no Brasil e que a cobertura sobre ciência não é precisa.

Outro dado interessante apontado pela pesquisa de Massarani e Peters é o da relação do cientista com o público geral. Os entrevistados acreditam que quanto maior o conhecimento das pessoas, mais positiva é a sua atitude em relação à ciência, por isso eles dizem que se comunicar com o público, tratando-o como igual, é uma parte importante do dever científico. No entanto, ao contrário do desejo da população de participar das decisões científicas, como foi apontado na pesquisa “Percepção Pública da C&T no Brasil”, os cientistas rejeitam a ideia do público ter algum tipo de poder no que diz respeito à política relacionada à ciência.

Referência Bibliográfica: MASSARANI, Luisa; PETERS, Hans. Scientists in the public sphere: Interactions of scientists and journalists in Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 88, n. 2, p. 1165-1175, 2016.

Pesquisa sobre a percepção do brasileiro em relação à Ciência e Tecnologia

*Por Thais May Carvalho

Em julho de 2019, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos publicou a pesquisa “Percepção Pública da C&T no Brasil”. Esse estudo revelou alguns dados interessantes sobre o que a população brasileira pensa sobre as pesquisas científicas e os cientistas.

Realizada com 2200 brasileiros de 16 a 76 anos de idade de todas as regiões do país, a pesquisa apontou que existe uma grande distância entre o interesse da população em relação a assuntos ligados à ciência e tecnologia e a quantidade de informação que ela consome sobre esses mesmos temas. 79% apontou se interessar por medicina e saúde, 76% se interessa pelo meio-ambiente e 62% se interessa especificamente por C&T. No entanto, menos de 15% afirmou que consome esse tipo de conteúdo frequentemente, seja por meio da televisão, da internet ou de qualquer outro meio de comunicação. Esse último dado pode estar ligado com a qualidade da cobertura sobre C&T no país, pois 82% disseram que a maior parte das pessoas seria capaz de compreender conceitos científicos se os mesmos fossem bem explicados.

Outro dado interessante mostra que o brasileiro tem uma visão positiva da ciência e ele considera que os seus benefícios são maiores do que os riscos. Por conta disso, 86% dos entrevistados afirmam a C&T é essencial para o desenvolvimento da indústria e 58,5% dizem que essa área é importante para a erradicação da pobreza e da fome.

Além disso, a pesquisa revelou que a população deseja ter maior participação na ciência. 83% dos entrevistados afirmaram que as pessoas deveriam ser ouvidas nas grandes decisões que estão relacionadas à ciência e tecnologia. Apesar desse desejo, a maior parte deles não aparenta ter grande conhecimento sobre a área acadêmica, tendo em vista que 90% não se lembrou do nome de um cientista brasileiro e 88% não soube citar uma instituição de pesquisa.

Mais um ponto interessante levantado por esse estudo foi o da imagem que o cientista tem no imaginário popular. Para 41% dos entrevistados, os cientistas são pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade. Ao mesmo tempo, 84,5% também acreditam que eles podem ser perigosos por conta do conhecimento que possuem.

Para ver a pesquisa completa do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, clique aqui.

Evento Wiki no Instituto de Matemática e Estatística da USP – Parte II

*Por Thais May Carvalho

No dia 10 de dezembro, aconteceu no prédio do NeuroMat, na USP, a segunda parte do evento “Bibliotecários Wikipedistas”. Organizado pelo CEPID NeuroMat e pela Biblioteca Carlos Benjamin de Lyra, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, o evento contou com cinco bibliotecárias do próprio IME.

Assim como na primeira parte do encontro, que aconteceu em 28 de novembro, esse evento teve uma apresentação da wikipedista Giovanna Fontenelle para apresentar a plataforma, e atividades de edição de verbetes da Wikipédia.

O objetivo por trás do “Bibliotecários Wikipedistas” é promover e melhorar o conteúdo (especialmente sobre bibliotecas) na Wikipédia em língua portuguesa e apresentar uma nova ferramenta de trabalho para os bibliotecários poderem utilizar.

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Publicação do vídeo “Instituto de Neurologia Deolindo Couto”

*Por Thais May Carvalho

Acaba de ser publicado no YouTube o vídeo “Instituto de Neurologia Deolindo Couto”. O INDC é um hospital universitário que faz parte da UFRJ e ele está localizado no histórico Campus da Praia Vermelha. O local é um importante centro de pesquisa, tratamento, reabilitação de doenças degenerativas do sistema nervoso, como lesão do plexo braquial, doença de Parkinson, Esclerose Lateral Amiotrófica, entre outras.

Esse vídeo de três minutos apresenta dados históricos sobre o INDC, como o fato de que ele fica no mesmo local do Hospital Psiquiátrico D. Pedro II, que foi o primeiro hospital focado nessa área no Brasil. Além disso, o vídeo também mostra painéis que existem no prédio e foram feitos por Paulo Werneck, um importante muralista brasileiro que trabalhava com Oscar Niemeyer.

Ou seja, o INDC, que foi idealizado pelo médico neurologista Deolindo Couto, é um importante patrimônio histórico, cultural, médico e científico da cidade do Rio de Janeiro.

Evento Wiki no Instituto de Matemática e Estatística da USP – Parte I

*Por Thais May Carvalho

No dia 28 de novembro, o CEPID NeuroMat e a Biblioteca Carlos Benjamin de Lyra, do IME-USP, organizaram a primeira parte do evento “Bibliotecários Wikipedistas”, que contou com a participação de aproximadamente 20 bibliotecários de diversas bibliotecas da Universidade de São Paulo.

Esse evento teve como objetivo promover e melhorar o conteúdo sobre bibliotecas no universo Wiki. Além disso, a ideia por trás dessa atividade era apresentar a Wikipédia como uma possibilidade de ferramenta de trabalho para os bibliotecários, para que assim eles pudessem ajudar a melhorar a qualidade do conteúdo da Wikipédia em português e aprender mais sobre o conceito de conhecimento livre.

Parte da iniciativa Wiki GLAM (Galleries, Libraries, Archives and Museums), o evento foi composto por uma apresentação da wikipedista Giovanna Fontenelle, que contou mais detalhes sobre a plataforma, e atividades de edição de verbetes.

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