Revista Pesquisa FAPESP: Loucura artística

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(crédito: pixabay/kh89)

Por Alexandre Agabiti Fernandez*

O cinema se presta, mais do que qualquer outra forma de arte, à representação de transtornos mentais. Paranoicos, psicóticos e outros transtornados fascinam ou perturbam o espectador porque a loucura interrompe a ordem imanente do mundo e as modalidades habituais de percepção deste. Cinema e loucura – Conhecendo os transtornos mentais através dos filmes (Artmed), de J. Landeira-Fernandez e Elie Cheniaux, é a primeira obra publicada entre nós a classificar sistematicamente os distúrbios mentais de personagens cinematográficos.

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Revista Pesquisa FAPESP – Arthur Miller: As representações da simultaneidade

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(crédito: pixabay/freephotocc)

 

Por Mariluce Moura*

À primeira vista parece difícil estabelecer paralelos entre Einstein e Picasso – não, entretanto, para Arthur Miller, autor entre outros livros de Einstein, Picasso: space, time and the beauty that causes havoc (Basic Books, 2001). Porque se para o senso comum nada faria convergir essas duas personagens, afora talvez o fato de terem ambos sido grandes faróis a iluminar a construção do conhecimento e da cultura no século XX, e mais a coincidência de terem vivido cada um o seu período de mais intensa criatividade entre 1902 e 1909, para Miller isso é apenas um ponto de partida que lhe permite relacionar estreitamente o percurso criativo daqueles que define como o cientista e o artista mais importantes do século passado.

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Revista Pesquisa FAPESP: A onipresença da imagem

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(crédito: Pixabay/Kapa65)

Por Mauricio Puls*

Presentes nos documentos pessoais, nas publicações impressas e nas redes sociais, as fotos se tornaram imprescindíveis ao funcionamento da sociedade moderna. No livro Picture ahead – A Kodak e a construção do turista-fotógrafo, a fotógrafa e professora de artes visuais Lívia Aquino, coordenadora da Pós-graduação em Fotografia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), de São Paulo, mostra que essa onipresença da imagem emergiu após um longo processo de popularização das câmeras, no qual a Kodak, fabricante norte-americana de máquinas fotográficas, desempenhou um papel decisivo.

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Revista Pesquisa FAPESP — Roberto Lent: Especialista em Conexões

 

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Crédito: Massachusetts General Hospital and Draper Labs/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

Por Ricardo Zorzetto*

O neurocientista Roberto Lent investiga há quase 40 anos a formação e a reorganização das conexões entre as áreas do cérebro. Mais recentemente, se propôs a estimular outro tipo de interação: entre pesquisadores com empreendedores e educadores, a fim de produzir conhecimentos que aprimorem as estratégias de aprendizagem e cheguem rapidamente a professores e alunos nas salas de aula. Ele espera que o desenvolvimento dessa área, a chamada ciência para a educação, contribua para melhorar mais rapidamente o nível educacional das crianças e dos adolescentes brasileiros.

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Revista Pesquisa FAPESP: Modernidade intercontinental

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(crédito: CC0 Public Domain/Pixabay)

*Por Márcio Ferrari

Uma das mais importantes coleções de arte italiana da primeira metade do século XX – certamente a mais importante em continente americano – se encontra em São Paulo. É bem conhecida historicamente por ter sido um dos núcleos fundadores do acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). Mas agora, ao ser exposta no marco das comemorações dos 50 anos da instituição, aparece reorganizada e reavaliada, graças ao trabalho Obras italianas das coleções Francisco Matarazzo Sobrinho e Yolanda Penteado, de Ana Gonçalves Magalhães, docente e curadora da Divisão de Pesquisa em Arte, Teoria e Crítica do museu.

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Revista Pesquisa NeuroMat – Visibilidade imprevisível

*Por Danilo Albergaria

Algumas das recompensas perseguidas pelos pesquisadores – reconhecimento dos resultados da pesquisa, oportunidades de parcerias e financiamento para projetos – têm chances maiores de se tornar viáveis se estiverem ligadas à publicação de artigos em revistas com alto fator de impacto (FI). No entanto, não basta ter artigos aceitos nos periódicos de maior prestígio para receber obrigatoriamente mais citações, assim como fazê-lo em revistas com FI mais baixo não implica um destino irrelevante para o trabalho do cientista. A disseminação dos resultados das pesquisas e sua recepção pela comunidade científica dependem também de outros fatores.

“A publicação em revistas muito concorridas não garante que os artigos sejam necessariamente mais citados”, ressalta Gilson Volpato, professor aposentado da Universidade Estadual Paulista e especialista em metodologia e redação científica. O advento da internet mudou profundamente a maneira como os papers são disseminados na comunidade científica. Por um lado, periódicos impressos passaram a publicar seus conteúdos on-line, mas com acesso restrito, garantido por assinatura ou remuneração por artigo acessado. Por outro, a internet abriu uma via para a criação de publicações de acesso aberto que só existem on-line, como a PLOS ONE, e de repositórios de preprints, como arXiv e bioRxiv, que disponibilizam manuscritos para leitura e comentários antes de serem submetidos aos periódicos para publicação (ver Pesquisa FAPESP nº 254).

O crescimento do número e da importância das revistas de acesso aberto e dos repositórios produziu uma transformação análoga à experimentada nos últimos anos pelo jornalismo, aponta Rafael Evangelista, cientista social e pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As revistas deixaram de ser a fonte exclusiva de busca de artigos: “Os veículos passaram a perder importância e o conteúdo se fragmentou. O que circula hoje são os artigos, e não a revista”. Essa circulação tenderá a ser maior se o periódico for de acesso aberto – o acesso restrito de um periódico de alto impacto pode diminuir a chance de o artigo ser lido e citado. “Publicar em revista com menor FI, mas aberta, por outro lado, poderia atrair mais visibilidade e gerar maior repercussão.” Esse fenômeno é reforçado por plataformas digitais como a Web of Science, que provocaram uma diversificação na busca de papers. “Um bom cientista procura em amplas bases de dados, que implica buscar artigos e não revistas específicas”, afirma Volpato.

As citações que um artigo recebe tendem a ser feitas por pesquisadores da área específica a que o estudo contido no paper se refere. Revistas de altíssimo FI, como Nature (38,1) e Science (34,6), são frequentemente mais generalistas do que publicações específicas ou de interesse regional, cuja visibilidade quase sempre é menor. Carlos Eduardo Paiva, oncologista do Hospital do Câncer de Barretos, cidade do interior paulista, afirma que o público realmente interessado no artigo pode ser mais numeroso em uma revista específica de determinada área do que em outra de maior impacto, mas generalista.

Paiva é um dos autores de um estudo recente publicado on-line no periódico eCancerMedicalScience que indica as diferenças de condições de produção de conhecimento de pesquisadores de diferentes países. A pesquisa baseou-se na análise de questionários respondidos por 269 pesquisadores com perfis distintos: os que publicam em revistas de alto FI (de 13,9 a 51,5) e em de baixo FI (de 0,5 a 1,0). A base da seleção foi o FI dos periódicos de medicina geral classificados pelo Journal Citations Report de 2012

“Os pesquisadores que publicavam em revistas de maior impacto eram aqueles que conseguiam obter mais recursos financeiros para suas pesquisas, estavam mais capacitados para a preparação de seus manuscritos, moravam em países com maior PIB [Produto Interno Bruto] e de língua inglesa, tinham mais alunos sob sua responsabilidade e dedicavam mais tempo à pesquisa”, informa Paiva. Um cientista sem essas condições ideais teria menores possibilidades de publicar em periódico de alto FI. Mas, mesmo com um artigo inserido em uma revista de baixo FI, ele pode ver seu trabalho repercutindo entre seus pares, recebendo citações.

A linha de pesquisa a que Paiva se dedica é um exemplo. Ele trabalha com cuidados paliativos e qualidade de vida nos tratamentos contra câncer. Publicações que trazem papers voltados para a pesquisa em oncologia em geral podem ter alto FI, como o Journal of Clinical Oncology (20,9). Já as especializadas na área de cuidados paliativos, como a Supportive Care in Cancer, têm FI comparativamente pequeno (2,5), embora seu impacto seja elevado para a área a que se dedica. “Os artigos sobre cuidados paliativos, enfermagem e educação médica são muito acessados por pesquisadores dessas áreas, que importa para a disseminação e o impacto dos resultados das pesquisas.”

A situação se repete em relação ao caráter regional de determinadas pesquisas, como algumas da área agrícola. “Resultados de estudos com apelo regional vão, provavelmente, ser publicados em revistas que interessam a um grupo muito específico de pesquisadores, que geralmente têm FI menor”, afirma Mariana Biojone, diretora da Springer no Brasil, uma das maiores editoras de periódicos internacionais. “Mas circularão mais entre cientistas que possuem os mesmos interesses e o paper pode vir a ter maior visibilidade e receber um bom número de citações.”

Embora publicar em revistas de menor impacto, mas mais dirigidas a determinada área, possa ser uma boa estratégia de divulgação do trabalho, vale lembrar que muitos ainda consideram o FI como um indicador da relevância e da qualidade de uma revista científica. No Brasil, é o principal critério utilizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) para estabelecer o índice Qualis, uma estratificação dos periódicos nacionais e internacionais. O índice tem um peso importante na avaliação dos programas de pós-graduação brasileiros a cargo da Capes.

Para o físico Peter Schulz, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp, estudioso da cientometria, a publicação em revistas de alto impacto deve sempre ser tentada. Ele lembra que esses periódicos são mais seletivos e submeter um artigo a eles pode levar a uma avaliação mais criteriosa do trabalho. “É uma prática de benchmark importante para o pesquisador. No entanto, conseguir publicar em uma revista de maior prestígio não é garantia de maior impacto, mas um investimento em uma maior visibilidade”, observa.

Cálculo do FI

O cálculo do fator de impacto (FI) é realizado dividindo-se citações a artigos publicados por um periódico nos dois anos anteriores ao ano avaliado pelo número total de artigos publicados no período. Exemplo: se uma revista publicou 100 artigos nos dois anos avaliados e esses artigos, ao todo, receberam 350 citações indexadas, o fator de impacto da revista será de 3,5. O FI não pode ser considerado uma métrica universalmente relevante para todas as áreas, indistintamente. Ou seja, o FI é relativo: enquanto numa área um valor do FI pode ser considerado alto, em outras o mesmo FI pode ser baixo. E, em algumas, quase irrelevante, pois a disseminação de resultados é feita de formas variadas, como publicação de livros.

*Esta matéria foi originalmente publicada por Danilo Albergaria em maio de 2015 no site da Revista Pesquisa FAPESP

CEPID NeuroMat melhora verbetes de educação matemática e tecnologia assistiva na Wikipédia

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Créditos: Averater/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

Por Marília Carrera

No âmbito do projeto de pesquisa Matemática Falada: Audiodescrição de Verbetes de Probabilidade e Estatística na Wikipédia, a equipe de difusão científica melhorou doze verbetes relacionados à educação matemática e à tecnologia assistiva na Wikipédia. As edições foram feitas a partir da tradução dos conteúdos disponíveis na versão anglófona da enciclopédia eletrônica. Foram adicionados pelo menos 10 mil bytes em cada artigo.

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