O que muda ao escrever um texto jornalístico?

*Por: Monique Sampaio

Dentre as várias atividades da semana, modifiquei um texto que escrevi em formato de resumo narrativo para o padrão jornalístico. O trabalho inicial consistia nos meus esforços iniciais para compreender a pesquisa sendo desenvolvida pelo Grupo de Redes Sociais do CEPID/Neuromat.

A principal mudança que fiz foi a utilização de contexto e informações externas, a fim de que o texto passasse a ter valor público e fizesse eventuais leitores compreenderem por que a pesquisa é relevante e possui impacto. Por sua vez, o texto inicial abordava como o Grupo de Redes Sociais estuda a identificação de comunidades no Twitter por meio da estatística. O trabalho era sobretudo descritivo.

Ao realizar a transposição para a linguagem jornalística, pesquisei dados referentes ao acesso à internet no Brasil, usuários nacionais no Twitter, qual a porcentagem da população que se informa via redes sociais, dentre outros. Por fim, relacionei essas informações com o trabalho de pesquisa sendo desenvolvido.

O exercício está sendo interessante pois a linguagem jornalística me parece trazer mais amplitude e ser mais abrangente se comparado ao resumo narrativo, que era sobretudo técnico e descritivo. Essa mudança me faz refletir sobre o próprio ofício jornalístico e quais as diferenças entre este e a atividade acadêmica.

Escrevendo um roteiro de podcast

*Por Carolina Salles Carvalho

Nos últimos dias, fiquei focada em finalizar o roteiro do primeiro episódio do podcast, que é o meu projeto prático. Após alguns encontros com a docente Maria Elisa Pimentel Piemonte, coordenadora da Rede Amparo, foi decidido que o primeiro episódio seria sobre “diagnóstico”. Além de trazer o depoimento de pessoas com Parkinson, foi decidido que ela também seria entrevistada, assim como um médico neurologista. Juntas, criamos uma lista de perguntas para cada entrevistado e também fiz uma carta apresentando o perfil e o objetivo do podcast.

Nesse processo, também contei com a valiosa contribuição do docente Eduardo Vicente, que me fez alguns questionamentos para delimitar a identidade do podcast. Como referências dentro do modelo narrativo, ele trouxe dois exemplos que poderiam servir como guias: o primeiro deles é o podcast Vozes – Histórias e Reflexões (Rádio CBN), em especial os episódios sobre luto e depressão, e o Rádio Ambulante, um podcast que conta crônicas latinas e é produzido pela rádio pública americana NPR. A indicação é que ouvisse um episódio sobre o Programa Mais Médicos, que apresenta a história de um dos profissionais cubanos e acontece no Brasil.

Agora é escrever, reescrever e editar, a partir das orientações recebidas.

A curiosidade que move o mundo

*Por Carolina Salles Carvalho

“O conhecimento em si mesmo é um poder”. Começo o texto com essa frase atribuída ao filósofo Francis Bacon e que faz parte do módulo 2 (História da Ciência e da Tecnologia) do curso de “Introdução ao Jornalismo Científico”, recentemente concluído por mim. Nessa etapa, o curso nos convida a fazer um sobrevoo sobre a história da ciência e dos recursos que o homem lançou mão para entender o mundo, registrar os acontecimentos, intervir sobre a realidade e transmitir o que se sabia para as gerações futuras.

Escolhi a citação porque o conteúdo apresentado me fez pensar em como, desde as antigas civilizações orientais até a Europa medieval dominada pela Igreja Católica, o conhecimento e as tecnologias para divulgá-lo foram propositalmente restritos pelos governantes ávidos por se manterem no poder e, supostamente, agradar aos deuses (independentemente para quem se reza).

Também é interessante pensar como o homem buscou soluções, guiado pela lógica, por crenças e valores tão diversos. Chegamos até aqui movidos pela curiosidade em relação à vida e pela criatividade mesmo contando com recursos parcos para encontrar respostas (impulsionados, há que se dizer, por incontáveis guerras também). Só mais um dos nossos paradoxos.

Destaco, ainda, a presença da ciência islâmica como um dos assuntos mais interessantes dessa etapa, já que, até então, pouco sabia sobre a contribuição muçulmana em diferentes áreas. Por fim, na parte prática, o módulo pedia que a gente contribuísse complementando os verbetes da Wikipédia, existentes dentro da categoria “História da Ciência”. Um dos tópicos em que colaborei foi o de “alfabetização científica”, apresentando o conceito de “cultura científica”, proposto pelo cientista Carlos Vogt.

Juntando as peças do quebra-cabeça

*Por Carolina Salles Carvalho

“A atribuição do termo ‘científico’ a alguma afirmação, linha de raciocínio ou peça de pesquisa é feita de um modo que pretende implicar algum tipo de mérito ou um tipo especial de confiabilidade. Mas o que é tão especial em relação à ciência? O que vem a ser esse ‘método científico’ que leva a resultados especialmente meritórios ou confiáveis?”.

Resgatei esse parágrafo introdutório do livro “O que é a ciência afinal?”, escrito por Alan Chalmers, para contar que nos últimos dias finalizei o primeiro módulo do Curso de Introdução ao Jornalismo Científico, produzido pelo NeuroMat. Além de uma aula sobre os elementos da metodologia científica, refleti sobre importância de Darwin para a construção da filosofia da biologia contemporânea e sobre o uso de metáforas tanto no cotidiano como no texto jornalístico, entre outras questões. Por fim, a atividade prática foi um exercício crítico sobre a cobertura jornalística da ciência, tendo como ponto de partida uma matéria publicada pela revista “Pesquisa Fapesp”.   

Também participei da primeira reunião específica sobre pesquisa com as demais bolsistas. Nesse momento inicial, preciso fazer um levantamento bibliográfico sobre duas possíveis interfaces de estudo, a partir do projeto proposto: jornalismo literário e divulgação científica ou storytelling e saúde, no contexto da produção dos podcasts. Em relação ao projeto prático, tive uma reunião com a pesquisadora Thais May e o professor Eduardo Vicente (ECA/USP), sendo que o docente trouxe vários questionamentos e algumas referências para enriquecer a construção do meu projeto.

Disparidades de gênero na ciência

*Por Miréia Figueiredo

Na reunião da equipe de difusão dessa semana (11/03), a antiga bolsista do CEPID NeuroMat Marília Carrera apresentou o primeiro capítulo da sua dissertação de mestrado. O trabalho, defendido em 2020, tem como título “A Representação das Mulheres pelo Jornalismo Científico: Uma Análise das Revistas Pesquisas FAPESP e Superinteressante” e foi realizado sob a orientação da Professora Pós-Doutoranda Cilene Victor.

A jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero integrou a equipe de difusão entre os anos de 2016 e 2017. E, como parte da sua bolsa, melhorou a qualidade de verbetes sobre matemática na Wikipédia. Alguns desses verbetes são: Distribuição normal e Educação Matemática.

Durante sua fala, foram apontadas algumas disparidades de gênero dentro da comunidade científica. Uma delas, por exemplo, é a maioria de homens em cargos de liderança em associações científicas, tais como a Academia Brasileira de Ciência (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A concentração de mulheres atuando nas ditas “ciências moles” e de homens nas “ciências duras” também foi um temas abordados.