Construção de uma vinheta para o podcast

*Por: Carolina Salles Carvalho

Um dos passos importantes na construção de um podcast é a vinheta de abertura. De certa forma, ela é o “rosto”, traz a identidade e apresenta a razão de ser do projeto, antecipando o que o interneuta/ouvinte pode esperar do programa.

Ao criar a vinheta para o podcast Vivo com Parkinson, procurei evidenciar que as histórias de vida vão emoldurar nossas conversas sobre a doença. Afinal, é a partir das trajetórias singulares dos entrevistados que os episódios são criados, ainda que os temas sejam pré-definidos e exista um roteiro inicial que serve como um alicerce, assim como uma pauta jornalística norteia o trabalho de apuração.

De maneira bem pragmática, o texto me apresenta, informa o nome do podcast e a sua vinculação com a rede Amparo, bem como salienta a relação com o Cepid Neuromat, Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática. Evidentemente, também é citado o apoio dado pela Fapesp, que financia o projeto.  

Por fim, a vinheta termina com a informação de que será abordado um tema diferente por episódio e que todos eles contarão com os comentários da Drª Maria Elisa Pimentel Piemonte, fisioterapeuta, docente da Faculdade de Medicina da USP e coordenadora da Rede Amparo. Minha “deixa” é o convite para a pesquisadora dar as boas-vindas a quem nos escuta, contar o tema a ser discutido e introduzir quem vai nos acompanhar, informações que mudam a cada episódio.

Do Google Scholar para o Wikidata: a experiência do CEPID NeuroMat no WikidataCon 2021

*Por Erika Guetti Suca

No dia 31 de outubro tive a oportunidade de participar da conferência online WikidataCon 2021. No evento, juntamente com Éder Porto, fiz uma apresentação do estudo (ainda em andamento) sobre os dados bibliográficos da rede de colaboradores do NeuroMat. Nela compartilhamos as lições aprendidas e os desafios encontrados no processo da pesquisa, que começou com o uso do Google Scholar e continuou até a identificação das suas potencialidades e a integração das informações com o ambiente do Wikidata.

O evento aconteceu nos dias 29, 30 e 31 de outubro. No primeiro dia, a conferência focou na discussão de um futuro sustentável, destacando tópicos como a necessidade da equidade de conhecimento, diversidade e do conhecimento marginalizado. Por conta da diversidade dos moderadores, o ambiente ficou mais rico e possibilitou discussões nas principais línguas de América Latina: espanhol, português e francês.

Nos dois dias seguintes do WikidataCon foram ressaltados tópicos mais específicos, como discussões técnicas da plataforma, a estimulação de novas ideias e o reconhecimento dos aspectos chaves do crescimento do Wikidata. No último dia também foram abordadas questões direcionadas aos problemas urgentes e as áreas necessárias para a evolução da plataforma.

Caleidoscópio como metáfora

*Por Carolina Salles Carvalho

Quem cresceu antes do boom dos celulares, com certeza teve a oportunidade de manusear um caleidoscópio, aquele aparelho óptico formado por um tubo com fragmentos de vidro colorido, que cria diferentes imagens geométricas multicoloridas a cada pequeno movimento de rotação que a gente faz. Uma espécie de mágica para os olhos que a física nos proporciona quando o reflexo da luz exterior incide sobre pequenos espelhos inclinados que fazem parte do artefato.

Por que lembrei dessa engenhoca com gosto de infância? Porque nos últimos dias tive a oportunidade de apresentar o meu projeto de pesquisa “Informar contando histórias: um podcast para quem vive e convive com a doença de Parkinson” para os demais bolsistas da comunicação e de áreas correlatas. E, mesmo que essa escrita tenha sido tão recente, novos questionamentos foram feitos pelo meu orientador, João Alexandre Peschanski, me convidando a olhar para o projeto sob perspectivas até então inéditas. Terminei a apresentação com novas referências e várias interrogações que devem me acompanhar daqui para frente. 

De certa forma, quando a gente compartilha o nosso trabalho, ainda que tão incipiente, cada pessoa que nos ouve atentamente, gira o caleidoscópio, formando novas imagens e abrindo caminhos para outros “desenhos”, num trajeto coletivo que só termina quando a curiosidade acaba também. Ainda bem.  

Minha experiência como bolsista de jornalismo científico no NeuroMat

* Por Thais May Carvalho

No final desta semana chegará ao fim minha bolsa do Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico. Me juntei à equipe de difusão científica do NeuroMat em junho de 2019. Nesse um ano e dois meses de trabalho, fui responsável pela publicação de 55 posts neste blog, a criação de dois artigos acadêmicos (um sobre realidade virtual e outro sobre divulgação científica no YouTube) e a produção de 28 vídeos no canal do NeuroMat no YouTube, entre eles estão lives de eventos que aconteceram no centro, vídeos em 360 graus, a série Faísca NeuroMat, entre muitos outros.

Por conta disso, durante minha estada no NeuroMat foi possível colocar em prática e aprimorar ainda mais habilidades que havia aprendido durante a faculdade de jornalismo, como a edição de vídeos, a pré-produção de conteúdo, a escrita acadêmica e jornalística e a atividade de entrevista, por exemplo.

Mas a minha experiência dentro do CEPID NeuroMat não se traduz somente nessas publicações. Neste período eu entrei em contato profundo com o meio acadêmico, e assim passei a entender melhor o que é fazer ciência e como é ser um cientista no Brasil. Quando uma descoberta sai no jornal, nem sempre pensamos na quantidade de pessoas envolvidas nesse processo, nos anos de trabalho que levaram até o momento da publicação ou nos obstáculos (sejam eles burocráticos ou no desenvolvimento da pesquisa) que são encontrados no meio do caminho. Porém, observando de perto o dia-a-dia dos pesquisadores do NeuroMat, a minha perspectiva sobre essa questão se ampliou.

Além disso, pude conhecer cientistas das mais diversas áreas, como biólogos, matemáticos, físicos, neurocientistas e cientistas da computação. Dessa forma, seja por meio de entrevistas ou de conversas informais nos corredores, entrei em contato com áreas do conhecimento que até então eram estranhas para mim, e isso também ajudou a ampliar meu universo científico. 

De forma geral, pensando na perspectiva de uma comunicadora, essa experiência foi de extrema importância para minhas atividades futuras, sejam elas na área acadêmica ou no jornalismo.

Revista Pesquisa FAPESP: Disseminação desigual – pt. 1

*Por Rodrigo de Oliveira Andrade

O reúso de dados de pesquisa vem crescendo, mas ainda está longe de se consolidar no ambiente científico. A prática, que consiste em fazer estudos aproveitando dados gerados em experimentos anteriores de outros pesquisadores, dissemina-se mais efetivamente nas ciências exatas e biológicas, enquanto enfrenta resistência nas ciências sociais. Em geral, os pesquisadores que trabalham com informações obtidas por meio de modelos computacionais ou sensores remotos se sentem mais confortáveis em reaproveitar dados de terceiros. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado na revista PLOS ONE pela cientista de dados Renata Curty, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.

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