Uma conversa sobre ética em pesquisa

*Por: Carolina Salles Carvalho

Já escrevi outras vezes aqui no blog sobre o curso “Introdução ao Jornalismo Científico”, que realizamos, como bolsistas, em paralelo aos nossos projetos. Nesse percurso, o tema do módulo três foi ética em pesquisa, sendo que tivemos aulas sobre protocolos utilizados em pesquisas experimentais, reprodutibilidade e a processo de validação do conhecimento, que acontece pela prática de revisão por pares, entre outros assuntos. Como atividade final, foi proposta a realização de uma entrevista com um(a) pesquisador(a) sobre a temática.

Conversei com a terapeuta ocupacional Drª Alana de Paiva Nogueira Fornereto Gozzi, formada pela FMRP/USP, professora adjunta no Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos e docente do Programa de Pós-graduação em Gestão da Clínica (Mestrado profissional). Deixo aqui alguns trechos do nosso encontro, trazendo algumas reflexões da entrevistada, a partir da experiência adquirida com  pesquisas interventivas, que contribuem, concomitantemente, com o avanço científico e a transformação social:

“(…) numa pesquisa-intervenção, essa via é de mão dupla porque o trabalhador, ao mesmo tempo que produz conhecimento para uma pesquisa, ele também leva para a realidade do trabalho, o que ele aprende nesse processo. Então, ao mesmo tempo que se produz conhecimento, você interfere positivamente, esperamos, numa realidade de trabalho. Mas, essa previsão de que você pode sim fazer uma interferência na realidade e que esses cuidados precisam estar ali garantidos… do sigilo, da possibilidade de saída, da particiração voluntária, ou seja, de que essa pessoa quer estar ali, que ela quer produzir conhecimento, ela quer intervir de alguma maneira qualificando o que ela já faz”.

“Esse desenho também é bastante interessante quando você pensa em ética e no papel da universidade, de fato, com a produção de conhecimento, que não é um conhecimento que se produz puramente e que, às vezes, fica fora de acesso para o trabalhador, para os gestores do SUS. (…) eu acho que quanto mais afim, quanto mais a partir da realidade, a gente consegue tirar uma pergunta de pesquisa, mais a gente tende a contribuir com o avanço do conhecimento, com a qualidade de vida, com o que, de fato, é papel da universidade”.

A curiosidade que move o mundo

*Por Carolina Salles Carvalho

“O conhecimento em si mesmo é um poder”. Começo o texto com essa frase atribuída ao filósofo Francis Bacon e que faz parte do módulo 2 (História da Ciência e da Tecnologia) do curso de “Introdução ao Jornalismo Científico”, recentemente concluído por mim. Nessa etapa, o curso nos convida a fazer um sobrevoo sobre a história da ciência e dos recursos que o homem lançou mão para entender o mundo, registrar os acontecimentos, intervir sobre a realidade e transmitir o que se sabia para as gerações futuras.

Escolhi a citação porque o conteúdo apresentado me fez pensar em como, desde as antigas civilizações orientais até a Europa medieval dominada pela Igreja Católica, o conhecimento e as tecnologias para divulgá-lo foram propositalmente restritos pelos governantes ávidos por se manterem no poder e, supostamente, agradar aos deuses (independentemente para quem se reza).

Também é interessante pensar como o homem buscou soluções, guiado pela lógica, por crenças e valores tão diversos. Chegamos até aqui movidos pela curiosidade em relação à vida e pela criatividade mesmo contando com recursos parcos para encontrar respostas (impulsionados, há que se dizer, por incontáveis guerras também). Só mais um dos nossos paradoxos.

Destaco, ainda, a presença da ciência islâmica como um dos assuntos mais interessantes dessa etapa, já que, até então, pouco sabia sobre a contribuição muçulmana em diferentes áreas. Por fim, na parte prática, o módulo pedia que a gente contribuísse complementando os verbetes da Wikipédia, existentes dentro da categoria “História da Ciência”. Um dos tópicos em que colaborei foi o de “alfabetização científica”, apresentando o conceito de “cultura científica”, proposto pelo cientista Carlos Vogt.

Disparidades de gênero na ciência

*Por Miréia Figueiredo

Na reunião da equipe de difusão dessa semana (11/03), a antiga bolsista do CEPID NeuroMat Marília Carrera apresentou o primeiro capítulo da sua dissertação de mestrado. O trabalho, defendido em 2020, tem como título “A Representação das Mulheres pelo Jornalismo Científico: Uma Análise das Revistas Pesquisas FAPESP e Superinteressante” e foi realizado sob a orientação da Professora Pós-Doutoranda Cilene Victor.

A jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero integrou a equipe de difusão entre os anos de 2016 e 2017. E, como parte da sua bolsa, melhorou a qualidade de verbetes sobre matemática na Wikipédia. Alguns desses verbetes são: Distribuição normal e Educação Matemática.

Durante sua fala, foram apontadas algumas disparidades de gênero dentro da comunidade científica. Uma delas, por exemplo, é a maioria de homens em cargos de liderança em associações científicas, tais como a Academia Brasileira de Ciência (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A concentração de mulheres atuando nas ditas “ciências moles” e de homens nas “ciências duras” também foi um temas abordados.

A tradução de conteúdos de treinamento da Wikipédia

*Por Miréia Figueiredo

Nessa semana, uma das minhas atividades consistiu em traduzir o treinamento de edição básica da Wikipédia. Esse treinamento ensina os usuários da comunidade wiki a editar e formatar verbetes na plataforma, mas até então não tinha uma versão em português.

Essa atividade está diretamente relacionada ao curso de Introdução ao Jornalismo Científico que estou desenvolvendo na Wikiversidade. Pois a tarefa do módulo 2 História da Ciência e da Tecnologia orienta os estudantes a melhorarem conteúdos sobre história da ciência na Wikipédia.

Apesar da edição na plataforma não ser algo complicado de ser aprendido empiricamente, a realização desse treinamento ajuda os estudantes a terem uma noção mais completa dos recursos da plataforma. Assim como alguns padrões de formatação.

Evento Wiki no Instituto de Matemática e Estatística da USP – Parte II

*Por Thais May Carvalho

No dia 10 de dezembro, aconteceu no prédio do NeuroMat, na USP, a segunda parte do evento “Bibliotecários Wikipedistas”. Organizado pelo CEPID NeuroMat e pela Biblioteca Carlos Benjamin de Lyra, do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, o evento contou com cinco bibliotecárias do próprio IME.

Assim como na primeira parte do encontro, que aconteceu em 28 de novembro, esse evento teve uma apresentação da wikipedista Giovanna Fontenelle para apresentar a plataforma, e atividades de edição de verbetes da Wikipédia.

O objetivo por trás do “Bibliotecários Wikipedistas” é promover e melhorar o conteúdo (especialmente sobre bibliotecas) na Wikipédia em língua portuguesa e apresentar uma nova ferramenta de trabalho para os bibliotecários poderem utilizar.

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