Ilustrando História e a possibilidade de unir conhecimento e criatividade  

Isaac Newton
Isaac Newton é um dos personagens ilustrados na série (crédito: reprodução/Ilustrando História)

Por Giulia Ebohon

A história de grandes inventores, compositores, pintores e outras figuras relevantes para o desenrolar da humanidade, é ilustrada nessa animação que busca transmitir conhecimento de uma forma acessível e divertida por meio da imagem.
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“A Wikipédia é uma ferramenta de ensino eficaz” – Carta Educação entrevista LiAnna Davis

LiAnna Davis fala sobre o potencial educativo da plataforma livre e sobre o programa que coloca alunos universitários para editar verbetes

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Ao editar verbetes, alunos têm a chance de interagir com pessoas de todo o mundo. Crédito: CEPID NeuroMat/Wikimedia Commons

Por Thais Paiva, da Carta Educação

Sexto site mais visitado do mundo, com aproximadamente 500 milhões de visitantes únicos todo mês, e um acervo que ultrapassa o de qualquer enciclopédia impressa, a Wikipédia é hoje a maior comunidade colaborativa de conteúdo livre do mundo. Apesar disso, ou talvez por conta disso, seu uso como fonte confiável de pesquisa é ainda questionado.

O julgamento, no entanto, não poderia estar mais equivocado, defende a americana LiAnna Davis, diretora de programas da Wiki Education Foundation. “Quando os estudantes aprendem a navegar pela Wikipédia, eles têm acesso a uma fonte riquíssima de informação. Ao invés de proibir o uso da Wikipédia em pesquisas, os professores deveriam ensinar os alunos a como utilizar a plataforma de forma efetiva”, diz.

Em visita à São Paulo, onde palestrou a convite do centro de pesquisa NeuroMat, da USP, LiAnna falou sobre a necessidade de desmistificar a ferramenta e integrá-la à educação. Também comentou sobre uma iniciativa pioneira que coordena nos Estados Unidos, na qual professores e alunos do Ensino Superior se unem para melhorar o conteúdo disponível sobre diversos tópicos na versão em inglês da enciclopédia.

Carta Educação: É comum a ideia de que a Wikipédia não é uma fonte confiável de informação. Por que essa concepção prevalece e como mudá-la?

LiAnna Davis: Creio que essa ideia vem do fato de qualquer um poder acrescentar ou editar um verbete na plataforma. Logo, as pessoas pensam: como é assegurado que a informação contida ali é confiável? Mas o que elas não compreendem é que a comunidade de editores da Wikipédia desenvolveu uma série de estratégias e diretrizes que sinalizam se aquele é ou não um bom verbete. Por exemplo, verbetes de baixa qualidade possuem um aviso no topo alertando que alguns pontos são duvidosos, que faltam citações e outras coisas do gênero. Então, claro, existem verbetes muito confiáveis e de alta qualidade na enciclopédia, mas também há outros não tão bons. Ao invés de proibir o uso da Wikipédia em pesquisas, os professores deveriam ensinar os alunos a como utilizar a plataforma de forma efetiva. Quando os estudantes aprendem a navegar pela Wikipédia, eles têm acesso a uma fonte riquíssima de informação e oportunidade de aprendizado. Na versão em língua portuguesa da plataforma, por exemplo, são 1 milhão de verbetes disponíveis. Para se ter uma ideia de comparação, a enciclopédia inglesa possui apenas 40 mil.

CE: Você diz que a Wikipédia e a Educação têm tudo a ver. Como os alunos podem usar a plataforma em suas pesquisas?

LD: A Wikipédia como uma enciclopédia virtual é uma ótima fonte preliminar de informação. Se você está começando a pesquisar um determinado tópico, poderá abrir a Wikipédia e ter uma visão geral do assunto muito valiosa. Se você precisa de informações rápidas e pontuais como “onde essa pessoa nasceu” ou “qual era sua profissão”, a informação que está lá com certeza é confiável e te servirá perfeitamente. Além disso, há uma série de notas de rodapé e referências que te levam para as fontes primárias e secundárias de pesquisa. É claro que você não deveria colocar a Wikipédia como a bibliografia do seu estudo, pesquisa, mas é um ótimo começo para ter essa visão genérica do assunto e então se aprofundar. No entanto, ela não deve ser sua única fonte de informação. O estudante deve sempre recorrer a outras fontes para ter um quadro mais abrangente do assunto que está investigando.

CE: Como funciona o programa desenvolvido pela Wiki Education Foundation que coloca professores e estudantes universitários para editar verbetes da plataforma?

LD: Começamos o programa em 2010 nos Estados Unidos e, nesses últimos sete anos, temos crescido bastante. Cada vez mais, novos professores universitários aderem ao nosso programa e integram a Wikipédia com as ciências ensinadas em suas salas de aula. Funciona assim: os docentes participantes pedem para que seus alunos adicionem conteúdo a artigos sobre o curso na Wikipédia. Para isso, passam por um treinamento online onde aprendem como utilizar a Wikipédia como uma ferramenta de ensino e então criam uma página de seu curso conosco. Hoje, apoiamos 300 classes nesse modelo, envolvendo cerca de 7 mil alunos do Ensino Superior. Nós, da Wiki Education Foundation, não somos especialista nos assuntos de todas essas classes, mas somos especialistas em Wikipédia e orientamos os professores que, por sua vez, proveem suas expertises nos tópicos e asseguram que os conteúdos adicionados pelos alunos são de alta qualidade e confiáveis. Nesse processo, os alunos também recebem treinamento online e diretrizes para que possam fazer contribuições valiosas para a plataforma. Além disso, temos uma equipe de apoio disponível para responder perguntas que os estudantes possam ter, rever o trabalho deles e assim por diante. Para participar do programa, professores e alunos podem entrar em contato conosco por meio do nosso website.

CE: Quais são os ganhos que os estudantes têm ao participar desse programa?

LD: Os estudantes aprendem pontos-chave para desenvolver habilidades relacionadas à alfabetização mediática, escrita, pesquisa, comunicação online e trabalho colaborativo, pois geralmente eles trabalham em conjunto com colegas. Além disso, ao editar os verbetes, eles têm a chance de interagir com pessoas de toda a parte do mundo. O público de seu trabalho deixa de ser uma pessoa só, o professor, e passa a ser toda a comunidade global, o que é muito mais impactante. Para os professores, os ganhos são alunos muito mais engajados com seu trabalho acadêmico, pois quando estão escrevendo para a Wikipédia não o fazem apenas para conseguir uma nota, mas para ajudar pessoas que realmente vão ler e usar aquilo. Logo, eles costumam despender muito mais tempo e esforço nesse tipo de atividade, pois a julgam útil. A Wikipédia é uma ferramenta de ensino eficaz.

CE: No ano passado, a Wiki Education Foundation desenvolveu o projeto Ano da Ciência. No que consistiu?

LD: Nós nos focamos em melhorar a qualidade da informação sobre Ciências disponível na Wikipédia em inglês. Para isso, lançamos uma campanha para trazer publicidade e atenção para a defasagem de conteúdo nesse tipo de área e convencer os alunos a trabalharem nisso. Conseguimos mobilizar cerca de 6 mil estudantes que editaram quase 5 milhões de conteúdos científicos, o que é equivalente a 3,5 volumes impressos da última enciclopédia britânica. Então foi um impacto gigante que os alunos promoveram na Wikipédia.

CE: Fora isso, houve também um esforço para promover a igualdade de gênero na plataforma. Como foi?

LD: Dentro do Ano da Ciência, queríamos focar também no aumento do número de biografias de mulheres cientistas na Wikipédia em inglês. Com a campanha, fomos capazes de acrescentar 125 novas biografias de mulheres cientistas durante 2016 e o trabalho continua nesse sentido. Fora da área da ciência, temos uma parceria com o Natural Women’s Studies Association, que é uma associação acadêmica nos Estados Unidos que congrega professores que ensinam estudos relacionados à mulheres e gênero, como Gênero e Comunicação e Feminismo. A associação encoraja esses professores a participar do nosso programa, o que é muito importante dado que 90% dos editores da Wikipédia são homens. Essas pessoas estão desenvolvendo um trabalho importantíssimo e ajudando a equipar a cobertura desigual sobre mulheres na plataforma. No nosso programa o cenário já começa a se nivelar, já que 68% dos nossos editores são mulheres.


Thais Paiva é jornalista formada pela PUC-SP e bacharel em Letras pela USP. Já trabalhou no site da revista Crescer e escreve sobre educação desde 2013.
Este texto foi publicado originalmente no site da Carta Educação, e é reproduzido aqui com autorização dos responsáveis.

Conheça o NES, software livre para armazenar e compartilhar dados de neurociência do NeuroMat

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Por Karolina Bergamo

O Neuroscience Experiments System (NES) é uma ferramenta de código aberto desenvolvida pelo CEPID NeuroMat, que visa auxiliar os laboratórios de pesquisa em neurociência em procedimentos de rotina para a coleta de dados. Continue Lendo “Conheça o NES, software livre para armazenar e compartilhar dados de neurociência do NeuroMat”

A matemática pincelada nas turbulências de Van Gogh

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Noite Estrelada de Van Gogh ( crédito: wikimediaCommons)

Por Giulia Ebohon

O pintor holandês Vincent Van Gogh é dono de telas mundialmente conhecidas, que marcaram uma forma de expressão artística definida como pós-impressionismo – datada entre o final do movimento Impressionista e início do Cubismo. Mas para além do campo das artes – no qual tem reconhecida relevância – obras do artista também vêm sendo utilizadas como objeto de estudo no universo da ciência.

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Projeto do NeuroMat promove pesquisa e educação sobre lesões do plexo braquial

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Claudia D. Vargas, pesquisadora principal do CEPID. Crédito: NeuroMat/ Wikimedia Commons

Por Karolina Bergamo

O Centro de Pesquisa, Inovação e Disseminação de Neuromatemática (CEPID NeuroMat) lançará em breve uma abordagem multidisciplinar focada em lesões do plexo braquial, denominada Ação NeuroMat para a Lesão do Plexo Braquial (ABRAÇO).

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Novo projeto do NeuroMat pesquisa os desafios da comunicação em cartilhas na área da saúde

Karolina Bergamo no Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática – CEPID NeuroMat

Por Karolina Bergamo

Olá, sou a Karolina, jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, e nova integrante da equipe de difusão científica do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão – CEPID NeuroMat. Sob orientação dos professores Fernando da Paixão e João Alexandre Peschanski, me candidatei ao Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico (Mídia Ciência), da FAPESP, que concede bolsas de pesquisa com o objetivo de estimular a capacitação de profissionais de mídia para trabalhar com a cobertura de assuntos da área das ciências. Continue Lendo “Novo projeto do NeuroMat pesquisa os desafios da comunicação em cartilhas na área da saúde”

Novo projeto do NeuroMat explora desafios de retratar a ciência por meio da imagem

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Giulia Ebohon durante Treinamento de Difusão Científica em Web 2.0. Crédito: WikimediaCommons/CEPID NeuroMat

Por Giulia Ebohon

Olá!

Meu nome é Giulia, sou jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero. Como nova integrante da equipe de difusão científica do NeuroMat, vou utilizar elementos da comunicação visual para questionar a dualidade entre arte e ciência e explorar caminhos imagéticos que enriqueçam a compreensão do real no universo da neuromatemática. Continue Lendo “Novo projeto do NeuroMat explora desafios de retratar a ciência por meio da imagem”