Visita ao Labner

Por Eliezer Santana Jr

Eliezer Junior, bolsista de jornalismo científico, em visita a UFRJ

Na última semana, eu visitei o Laboratório de Neurociências e Reabilitação (LABNER), localizado no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no bairro da Praia Vermelha. Ele faz parte do complexo hospitalar do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC), órgão suplementar da UFRJ, do Centro de Ciências da Saúde.

Fachada do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC)

Com 75 anos de existência, o INDC vem desempenhando funções de assistência e ensino em neurologia e neurocirurgia. Entre os exames diagnósticos realizados no instituto incluem Eletroencefalografia, Eletroneuromiografia e Tomografia Computadorizada. Quando se fala em pesquisa, o Labner possui linhas de pesquisa com Estimulação Magnética Transcraniana,  Eletroencefalografia, Cinemática, entre outras.

O Labner é um pequeno prédio, constituído por dois pisos. É neste lugar que a professora Claudia Vargas, lidera as pesquisas sobre a lesão do plexo braquial junto a outros pesquisadores em uma parceria com o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (CEPID NeuroMat).

Fachada do laboratório de Neurociências e Reabilitação no campus da UFRJ

Como a professora Claudia não estava presente, quem me apresentou o Labner foi a Fernanda Torres, pós-doutoranda no Labner e professora substituta do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Departamento de Clínica Médica da UFRJ. 

Fernanda Torres em frente ao prédio do Labner

Ao longo da manhã, visitamos diferentes espaços os quais são realizados os experimentos que estão presentes nos artigos publicados em periódicos e também estão disponíveis nos resumos de pesquisa do Abraço acadêmico.

Laboratório de Cinemática

laboratório onde é realizado a eletroencefalografia

Pelo caminho, Fernanda foi comentando as atividades estão sendo realizadas no Labner e deu impressões de como é importante o andamento dos trabalhos na área da lesão do plexo braquial para ajudar as pessoas. Para tal, é necessário um grupo forte de pesquisadores que dialoguem com essa vertente da pesquisa.

Segundo o site do laboratório na UFRJ, existem 6 pesquisadores na área de doutorado, uma pesquisadora nos pós-doutorado e dois alunos que realizam iniciação científica. O laboratório também conta com parcerias nacionais e internacionais. No Brasil, o Labner tem trabalhos com o já citado CEPID NeuroMat, o Instituto Nacional de Traumato-ortopedia (INTO), a Escola de Educação Física da UFRJ e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Quando se trata de parcerias internacionais, o Labner tem vínculos com pesquisadores da Argentina e da França.

Todo o conteúdo voltado para a lesão do plexo braquial tem origem nos laboratórios do Labner e a ideia de compartilhar o que os pesquisadores estão desenvolvendo faz parte de um dos pilares da iniciativa Abraço. A divulgação dessas informações vem a fortalecer o tema entre pesquisadores e também pessoas que sofrem com a lesão.

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A Neuromatemática em colóquio

Por Eliezer Santana Jr

Aline Duarte apresentando no Colóquio do Instituto de Matemática e Estatística (IME)

Na última sexta-feira (25/11), aconteceu o Colóquio do Instituto de Matemática e Estatística (IME) no campus principal da Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã, em São Paulo.

Antonio Galves, que se aposentou aos 75 anos, foi convidado para fazer parte do Colóquio como uma homenagem por sua longa carreira no instituto e sua contribuição à área científica. Por questões de saúde, o pesquisador não pode estar presente e quem apresentou foi Aline Duarte, que possui doutorado em estatística pelo IME-USP e atualmente faz parte do quadro de docentes da mesma instituição.

O tema abordado foi o “Cérebro Estatístico”, carro-chefe das pesquisas no NeuroMat. Aline explica que foi feito um novo protocolo experimental para verificar se o cérebro é capaz de identificar padrões em sequências estocásticas, quando cada elemento da sequência ocorre com uma probabilidade que depende dos elementos anteriores.

Um voluntário é estimulado com uma sequência estocástica, enquanto respostas ao estímulo são coletadas. Essas respostas podem ser fisiológicas ou comportamentais. Um exemplo de experimento com resposta comportamental pode ser um jogo, como o Jogo do Goleiro, desenvolvido por pesquisadores do próprio NeuroMat. No jogo, o voluntário faz o papel de goleiro e precisa adivinhar em que direção o batedor de faltas vai chutar, enquanto a direção do chute é dada por uma sequência estocástica. No caso de respostas fisiológicas, sequências estocásticas de estímulos auditivos são usadas para estimular os voluntários enquanto dados de eletroencefalograma são coletados.

Ao longo da sua apresentação, Aline falou sobre modelos estatísticos para formalizar a descrição do problema e critérios estatísticos de seleção de modelos para verificar a conjectura de que o cérebro identifica padrões em sequências estocásticas.

Pesquisadores na sala Antônio Folíolo no IME na palestra sobre o cérebro estatístico

Como perspectiva futura, foi apontada a necessidade de aprimorar e desenvolver novos métodos estatísticos que permitam testar a identificação pelo cérebro de padrões intrínsecos a estímulos estocásticos. A pesquisadora finalizou a apresentação citando o site do NeuroMat, bem como a rede social no Facebook, o conteúdo disponível no YouTube e o podcast “A Matemática do Cérebro”, também mantidos pelo projeto, como fontes ricas de informação sobre a neuromatemática.

A importância da ciência para a educação

Por Eliezer Santana Jr.

Bolsista de jornalismo científico em evento sobre Ciência para Educação

Durante o período de 17 a 19 de novembro, eu participei como congressista do Quinto Encontro Anual da Rede Nacional de Ciência para Educação. O evento ocorreu no Museu do Amanhã, na cidade do Rio de Janeiro, de forma presencial, e reuniu educadores, cientistas e estudantes interessados na área de ciência para educação.

Ao longo dos dias, aconteceram palestras que discutiram questões como ciência, educação e aprendizado. Uma das palestras que achei interessante teve o tema “The main principles of brain plasticity and learning that every teacher should know”, que identificou áreas do cérebro e suas respectivas responsabilidades, bem como estratégias de como consolidar o conhecimento através do ensino. Outra apresentação que me chamou a atenção foi a que falou sobre o impacto das redes sociais nas crianças e seu aprendizado, formando uma geração digital com as telas dentro da nossa própria casa, que inclui televisão, computador, celular e tablet. Foi apontado também que a maioria dos países estão incorporando a tecnologia na educação das crianças, sobretudo em atividade de aprendizado.

Palestra “The main principles of brain plasticity and learning that every teacher should know”

Como o tema da minha pesquisa envolve a bidirecionalidade, uma das palestras trouxe o assunto em pauta, mesmo que rapidamente. Janaina Weissheimer, professora associada no Departamento de Línguas Estrangeiras da UFRN, membro do Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem e colaboradora do Instituto do Cérebro da UFRN, falou sobre o assunto.

Para a Weissheimer, existe uma relação forte de bidirecionalidade quando as crianças desenvolvem suas habilidades linguísticas e cognitivas durante o tempo escolar.

“A bidirecionalidade é uma característica do nosso cérebro”.

Janaina Weissheimer, pesquisadora

Se tratando do projeto Abraço e seus pesquisadores, ela citou ter feito estágio pós-doutoral em Neurociências no Kutas Cognitive Electrophysiology Lab na UCSD, nos EUA, o que achei curioso e conecta com procedimentos realizados pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que tem parceria com o CEPID NeuroMat.

Além disso, aconteceu a apresentação por pós-graduandos de trabalhos produzidos em laboratórios associados à Rede Ciência para Educação, a apresentação de pesquisas relevantes para a área da educação por pesquisadores, debates entre eles e a sessão de pôsters, que trouxe diversos temas interessantes como a discussão da neurociência e os processos de aprendizagem em um curso de formação docente, tão quanto o uso de metodologias ativas no ensino de neurociências para alunos de ensino médio da cidade de Joinville.

Sessão de posters no V Encontro Anual da Rede Nacional de Ciência para Educação

O evento foi enriquecedor, do ponto de vista da multidisciplinaridade, já que diferentes profissionais do que é “fazer ciência” estavam presentes e todos estavam com um mesmo objetivo: inserir a ciência através da educação. Depois do evento eu saio com a certeza de que a língua é um meio de aprendizagem para todos os conteúdos.

Perfil: Wojciech Szpankowski

*por Isabela Tosta Ferreira

Wojciech Szpankowski é professor de Ciência da Computação na Universidade de Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos da América. Ele é conhecido por seu trabalho em combinatória analítica, análise de algoritmos e teoria analítica da informação.

O pesquisador fez seu mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pela Universidade Técnica de Gdańsk em 1970 e 1980, respectivamente. 

O professor Szpankowski gentilmente me concedeu a segunda entrevista para a série que tenho realizado na bolsa MídiaCiência. Ele me contou um pouco de sua visão sobre o papel da matemática na neurobiologia, além de falar um pouco sobre uma possível agenda para estruturas de ordem superior na modelagem de sistemas neurais.

A entrevista foi realizada pouco tempo antes da fala do professor Wojciech em um dos seminários do NeuroMat. O espaço foi gravado e está disponível para assistir.

Foi um prazer conversar com o professor Wojciech 🙂

Renovação de bolsa: mais 6 meses de trabalhos na equipe de Difusão

*por Isabela Tosta Ferreira

É com grande alegria que compartilho por aqui que minha bolsa FAPESP MídiaCiência foi renovada, e terei mais 6 meses de oportunidade de trabalhar com a equipe de difusão do CEPID NeuroMat 😀

Nessa próxima etapa, gravarei pelo menos mais duas entrevistas com os pesquisadores associados ao NeuroMat, começando pelo professor Gille Laurent, que recentemente apresentou um webinar sobre a dinâmica dos sistemas neurais.

Nele, o professor ilustrou as diversas propriedades dinâmicas que os sistemas neurais podem expressar, buscando a compreensão mecanicista e funcional do “cérebro”. O pesquisador utilizou exemplos de uma diversidade de sistemas e espécies animais e foi bastante didático e claro em sua fala.

O seminário foi gravado e está disponível no YouTube.

Além das entrevistas, também elaborarei mais um artigo, buscando refletir sobre a prática realizada e as discussões teóricas entorno dela.