Modelo auxilia a criação recursos educacionais abertos (REAs)

Projetos de recursos educacionais abertos (REAs) vêm como uma série de tarefas que ramificam-se em outras, não necessariamente menores e possivelmente mais complexas. Para o projeto como um todo, é preciso planejamento, definir o grupo alvo e por vezes buscar por colaboradores e parceiros. Especificamente para um REA, é preciso estabelecer o tipo e formato, como o vídeo, que também vem com outras tarefas, como roteirizar, produzir e editar. Visualizar e organizar as atividades ganhou uma facilidade com a planilha “Projeto REA” publicada pela Open Education Working Group.

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O que pesquisas falam sobre como comunicar a ciência efetivamente?

*Por Andrew Maynard, da Arizona State University, e Dietram A. Scheufele, da University of Wisconsin-Madison

A verdade parece ser um conceito cada vez mais flexível na política. Ao menos é a impressão que passa o dicionário de inglês Oxford que recentemente declarou “pós-verdade” como a Palavra do Ano em 2016. O que acontece quando decisões são baseadas em informações enganosas ou descaradamente erradas? A resposta é bem simples: os aviões seriam menos seguros, os tratamentos médicos menos efetivos, nossa economia menos competitiva globalmente, e assim por diante.

Muitos cientistas e comunicadores da ciência têm batalhado com desprezo por, ou uso inapropriado de, evidências científicas por anos, especialmente acerca de questões sobre a causa do aquecimento global ou os benefícios da vacinação infantil. Um longo e descreditado estudo sobre a conexão entre vacinação e autismo, por exemplo, custou ao pesquisador sua licença médica, mas a pesquisa continua a deixar a média de vacinação abaixo do que ela deveria ser.

Apenas recentemente, contudo, as pessoas começar a pensar sistematicamente sobre o que de fato funciona para melhor promover o discurso público e a tomada de decisão sobre o que é por vezes ciência controversa. É claro que cientistas gostariam de se basear em evidências, geradas por pesquisas, para conseguir ideias de como efetivamente transmitir para outros o que eles sabem e fazem.

Como se provou, a ciência sobre como melhor comunicar a ciência através de diferentes questões, configurações social e audiência ainda não apontou para recomendações concretas e fáceis de ser seguidas.

Há um ano, a National Academies of Sciences, Engineering and Medicine (NAS), dos Estados Unidos, juntou um grupo diversos de experts para falar sobre o buraco entre pesquisa e prática. O objetivo era aplicar o pensamento científico ao processo de como comunicar a ciência de modo efetivo. Nós, os autores, fizemos parte desse grupo.

O projeto com as conclusões do grupo — “Communicating Science Effectively: A Research Agenda“, acabou de ser publicado. Nele, tratamos com rigor o que significa uma comunicação efetiva da ciência e por que ela é importante; o que a torna tão desafiadora, especialmente onde a ciência é incerta ou contestada; e como os pesquisadores e comunicadores da ciência podem aumentar nosso conhecimento sobre o que funciona e em que condições.

Evidências para uma abordagem efetiva

Como descobrimos, uma efetiva comunicação da ciência — incluindo ouvir e atrair a audiência — é particularmente complexo, e longe de simples de ser estudada. Ela é altamente dependente do que está se comunica, de sua relevância para quem participa da conversação e da dinâmica entre sociedade e mídia em torno das questões que estão sendo abordadas. Mas uma efetiva comunicação da ciência também depende de como as pessoas se sentem, e em que elas acreditam que é certo, e do contexto social e político no qual a comunicação ocorre. E isso, compreender e comunicar a ciência com o auxílio de um “guia” que sirva para diferentes contextos e questões, é particularmente desafiante.

Por causa dessa complexidade, a prática da comunicação da ciência está mais para a arte do que para a ciência. Bons comunicadores, sejam eles repórteres, blogueiros, cientistas ou YoutTubers, normalmente aprendem com os outros, ou com treinamento profissional, e com frequência na base da tentativa e erro. Infelizmente, as ciências sociais não deram aos comunicadores dicas concretas, baseadas em evidências, sobre como comunicar a ciência eficazmente.

Dois anos atrás, as reuniões da NAS identificaram como são diversas as áreas de especialização quando se trata de pesquisas sobre comunicação da ciência. Elas vão desde estudos sobre economia behaviorista e sociologia até mídia e estudos da comunicação. As reuniões também começaram a mapear o que se sabe que funcionar ou não para a comunicação científica.

Por exemplo, cada vez mais está claro que não funciona para a comunicação da ciência o “modelo de déficit”, que baseia-se no pressuposto de que “encher as pessoas” com conhecimento científico, eles se tornarão tomados de decisão mais racionais. Isso não é porque as pessoas são irracionais, pelo contrário. Todos nós temos nossa própria estrutura psicológica sobre como damos sentido à informação, e sobre como pesamos diferentes fatores na hora de uma decisão.

Nós também sabemos que todos estamos predispostos a aceitar, rejeitar ou interpretar informação baseando-se em uma infinidade de conexões mentais, incluindo a tendência em aceitar uma informação sem investigá-la só porque ela parece confirmar nossa visão de mundo.

E nós sabemos que o modo como informação é apresentada, ou configurada, pode ter profundo impacto em como ela é interpretada e usada. O poder do termo “Frankenfood”, por exemplo, que é usado para falar sobre comidas geneticamente modificadas, não traz nenhum informação nova. Em vez disso, ele proporciona uma ligação subconsciente entre os organismos geneticamente modificados com conceitos que compartilhamos, como ideias de que os cientistas estão criando organismos não naturais com consequências imprevistas.

Fatores de decisão pesam mais que fatos

A comunicação científica pode envolver comunicar consensos científicos sobre, por exemplo, os benefícios e riscos das vacinas aos pacientes. Ou ela pode englobar um debate social mais extenso sobre as questões ética, moral e política levantadas pela ciência.

Por exemplo, nossa habilidade em editar código genético de organismos está se desenvolvendo em alta velocidade. Na próxima década, CRISPR e tecnologias similares terão um profundo impacto em nossas vidas, desde como nós modificamos plantas e animais e controlamos doenças, até como nós produzimos nossa comida, e até sobre como nós, seres humanos, mudamos nosso próprio código genético.

Mas isso também irá apresentar a todos nós questões que não podem ser respondidas somente pela ciência. O que significa ser humano, por exemplo? É antiético editar o genome de embriões que não nasceram? Se as pessoas envolvidas em tais decisões não têm a oportunidade para compreender, com base em evidências, as implicações da tecnologia, e assim tomar decisões informadas sobre seu desenvolvimento e uso, o futuro torna-se um pouco mais que uma loteria.

Para aqueles que comunicam a ciência, então, o esforço vem como algum grau de responsabilidade. Até a decisão de que informação compartilhar, como fazê-la, envolve valores pessoas, crenças e perspectivas, e podem potencialmente ter vasta consequência.

Há um nível especialmente alto de responsabilidade ética associado à comunicação desenhada para influenciar opiniões, comportamentos e atitudes. Cientistas são bem equipados para documentar os riscos para a saúde pública quando a taxa de vacinação é baixa, por exemplo. A questão se nós deveríamos obrigar as vacinações ou acabar com as exceções que baseiam-se em crenças, contudo, é inerentemente política, e cientistas não podem respondê-la sozinhos.

Mapeando o melhor caminho

Toda comunicação da ciência vem, em algum nível, com valores embutidos na mensagem. A informação sempre vem envolta por uma meada de propósito e intenção — mesmo quando apresentada como fatos científicos imparciais. A despeito, ou talvez por causa disso, dessa complexidade, há a necessidade de desenvolver uma fundação empírica mais forte para uma eficiente comunicação da e sobre a ciência.

Nesse sentido, as academias nacionais dos Estados Unidos fizeram um extenso relatório com recomendações. Algumas destacam-se:

  • Compreender que a comunicação científica é parte de uma rede maior de informações e influências que afetam o que as pessoas e as organizações pensam e fazem.
  • Avaliar a efetividade da comunicação científica. Sim, pesquisadores tentam, mas normalmente nós ainda dedicamo-nos a comunicar primeiro e avaliar depois. Melhor seria desenhar a estratégia de comunicação baseando-se em conhecimento empírico sobre a audiência e o contexto. É muito comum que os riscos técnicos que cientistas acreditam ter de comunicar não têm a ver com as esperanças e preocupações do público.
  • Engajar cientistas e público de maneira significativa para que haja um “diálogo honesto e bidirecional” sobre as promessas e armadilhas da ciência.
  • Considerar o impacto positivo e negativo das mídias sociais.
  • Trabalhar no sentido de melhor entender quando e como comunicar a ciência acerca de questões controversas ou possivelmente controversas.

Para seguir essas e outras recomendações, faz-se necessário que pesquisas estejam focadas em cruzar experts de diferentes áreas do saber. Será preciso investimento sério e estratégico na “ciência” da comunicação científica. Isso demandará um maior engajamento e colaboração entre aquelas que estudam comunicação científica e aqueles que a praticam de fato. E isso pedirá por uma reflexão séria sobre por que nós comunicamos a ciência, e como nós podemos trabalhar respeitosamente junto à audiência para garantir que a ciência que comunicamos seja importante para a sociedade.

Essa tarefa não será fácil. Mas a alternativa — continuar a era da “pós-verdade” desenvolver-se, na qual o desdém pelas evidências amplia riscos que poderiam ser evitados — nos dá pouca opção além de aprofundar-se na “ciência” da comunicação da ciência, de modo que a ciência e a evidência sejam efetivamente incorporadas às decisões que as pessoas tomam.

*Esse texto foi originalmente publicado no site “The Conversation” e traduzido com autorização dos autores.

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Revista Pesquisa FAPESP: Fluxos transacionais do conhecimento

*Por Fabrício Marques

Em estudo publicado em janeiro na revista Scientometrics, um grupo liderado pelo economista Eduardo da Motta e Albuquerque, pesquisador do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar-UFMG), mapeou o crescimento das colaborações científicas. Observou-se que o número de artigos publicados no mundo, indexados na base Web of Science, subiu de 1,2 milhão em 2000 para 2 milhões em 2015 e ao mesmo tempo a proporção de papers escritos por coautores de países diferentes mais que dobrou, indo de 10% do total em 2000 para 21% 15 anos mais tarde.

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Labjor, da Unicamp, organiza evento de divulgação científica de 24 a 26 de abril

Os alunos pós-graduação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, organizam o 5º Encontro de Divulgação de Ciência e Cultura (EDICC 5). O evento será realizado entre 24 e 26 de abril, na Unicamp, e tem como tema “Ciência, tecnologia e cultura: resistir e transbordar”. Em relação as apresentações de convidados, elas serão divididas em três modalidades: Ouvintes, Comunicações Orais e Relatos de Experiência.

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Revista Pesquisa FAPESP: Disseminação desigual – pt. 2

*Por Rodrigo de Oliveira Andrade

(continuação da matéria postada no dia 10 de março)

Paradoxo
O estudo publicado na PLOS ONE destaca um fato curioso relacionado à percepção sobre o reúso: os pesquisadores que mais se preocupam com a credibilidade dos dados que pretendem utilizar são os que se mostram mais dispostos a reaproveitar registros produzidos por terceiros. Já os que quase nunca reutilizam têm mais dificuldade para entender os benefícios dessa prática e avaliar a qualidade das informações disponíveis.

No estudo How and why researchers share data (and why they don’t), desenvolvido em 2014 pela editora John Wiley & Sons com quase 3 mil pesquisadores de diferentes áreas e países, verificou-se que os alemães são os mais dispostos a compartilhar dados, com o objetivo de aumentar a visibilidade e garantir a transparência de suas pesquisas. Já os chineses são menos propensos a dividir com outros informações de pesquisa, sobretudo porque isso não é um requisito para o financiamento. Os brasileiros reclamaram do trabalho extra para organizar essa massa de dados, dos custos para hospedá-la e das dificuldades para encontrar repositórios adequados.

Em estudos sobre o reúso de dados científicos, pesquisadores frequentemente alegam que se sentem receosos em fornecer suas informações porque ainda querem explorá-las em novos estudos ou temem não receber os créditos pela cessão. Esses e outros temores também foram verificados no relatório Open Data: The research perspective, da editora Elsevier. Mas o mesmo estudo constatou que 73% dos entrevistados julgavam que o acesso a dados científicos de terceiros poderia beneficiar suas próprias pesquisas e que 64% deles se mostravam dispostos a compartilhar informações com outros pesquisadores.

O principal desafio, segundo Claudia Bauzer Medeiros, é promover o reúso de informações científicas, mostrando aos pesquisadores os benefícios da prática, e ao mesmo tempo agir para combater os casos de apropriação indevida de dados. Outra estratégia desejável, segundo ela, é a criação de cursos que ensinem pesquisadores e alunos a preparar dados e experimentos para compartilhamento. “Esse tipo de treinamento já é padrão em vários países do mundo, tendo em alguns casos se tornado uma exigência na formação de pesquisadores”, completa.

Renata Curty argumenta que é preciso investir em sistemas que verifiquem a qualidade dos dados disponibilizados e em recompensas para os pesquisadores que adotarem essa prática. Nos Estados Unidos já existem algumas iniciativas nesse sentido. Uma delas é a Plataforma Global de Informações sobre Biodiversidade (GBIF), que reúne quase 850 milhões de registros de espécies, 6 milhões deles oriundos do Brasil (ver Pesquisa FAPESP nº 263). Ao cadastrar os dados primários de suas pesquisas na GBIF, os pesquisadores podem gerar um Data Paper, um documento que pode ser publicado on-line em plataformas de acesso aberto voltadas para descrever conjuntos de informações de pesquisas consideradas valiosas. Existem publicações dedicadas a disseminar esses artigos de dados, segundo a pesquisadora da UEL, como o Biodiversity Data Journal, oData in Brief, da Elsevier, e o Scientific Data, do grupo Nature.

*Essa reportagem foi publicada originalmente e na íntegra na edição de Março de 2018 da revista Pesquisa FAPESP e pode ser acessada aqui.

Revista Pesquisa FAPESP: Disseminação desigual – pt. 1

*Por Rodrigo de Oliveira Andrade

O reúso de dados de pesquisa vem crescendo, mas ainda está longe de se consolidar no ambiente científico. A prática, que consiste em fazer estudos aproveitando dados gerados em experimentos anteriores de outros pesquisadores, dissemina-se mais efetivamente nas ciências exatas e biológicas, enquanto enfrenta resistência nas ciências sociais. Em geral, os pesquisadores que trabalham com informações obtidas por meio de modelos computacionais ou sensores remotos se sentem mais confortáveis em reaproveitar dados de terceiros. Essa é uma das conclusões de um artigo publicado na revista PLOS ONE pela cientista de dados Renata Curty, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná.

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Blogs como forma de comunicação científica na era das redes sociais

*Por Lilian Nassi-Calò

Nos anos 2.000 foram lançados milhares de blogs com alguma referência à ciência. Destes, cerca de 2.500 podiam ser considerados verdadeiramente científicos, muitos deles mantidos por instituições acadêmicas e periódicos renomados, porém também inúmeros deles escritos por estudantes de pós-graduação, pós-doutores, professores universitários, professores de ciências e jornalistas profissionais, segundo um estudo publicado em 2007 no periódico Cell.

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