Redes Sociais e matemática do cérebro

*Por: Monique Sampaio

Essa semana, como parte da produção prática da pesquisa, entrevistei novamente o integrante do grupo de pesquisa Redes Sociais e doutorando do CEPID/Neuromat, Kadmo Laxa.

Indaguei a ele por que esse grupo faz parte de um centro de pesquisa que estuda a matemática do cérebro, além de questioná-lo a respeito da importância do trabalho que está desenvolvendo com relação ao impacto nas produções acadêmicas do CEPID.

De forma geral, o pesquisador me respondeu que as redes sociais são uma fonte abundante de dados, o que permite criar modelos matemáticos que podem ser utilizados na neuromatemática e em outros campos. Além disso, ele ressaltou também a importância da pesquisa por não ser de análise de conteúdo o que permite fazer um estudo em maior escala, algo até então pouco observado nos estudos de redes sociais.

Essa já é a terceira conversa que tenho com Kadmo. A cada vez, me aprofundo em uma ótica diferente de seu trabalho, a fim de realizar uma submersão na pesquisa e no grupo de estudos. O objetivo de fazer isso é realizar um trabalho de divulgação científica que abarque a complexidade do objeto, e ao mesmo tempo não seja inacessível ao leitor leigo no assunto, o que exige de mim, enquanto jornalista, um entendimento mais aprofundado do tema.

Análise de podcasts: um mergulho interseccional

*Por: Carolina Salles Carvalho

No meu projeto teórico, vou analisar podcasts que colocam as histórias de vida em primeiro plano, tendo como alicerce teórico a interseccionalidade, justamente por me permitir explorar relações de poder excludentes, a partir de diferentes marcadores (ex. raça, classe e gênero) que funcionam como categorias, muitas vezes, sobrepostas e invisíveis socialmente. Apresento brevemente dois dos podcasts aqui:

Nós, mulheres negras

O primeiro podcast foi elaborado pela produtora audiovisual Ester Dias, que também é apresentadora, e vinculado à Escola de Comunicação e Artes da USP. Em cada um dos dez episódios, uma convidada compartilha sua história de vida e o caminho (pouco conhecido) percorrido para alcançar o reconhecimento dentro de sua área de atuação. Ainda que cada trajetória seja única, temas como ancestralidade, tradições familiares, militância contra o racismo e pela inclusão, empoderamento, criatividade e resiliência, além da valorização das potencialidades individuais e das demais mulheres negras estão presentes, em maior ou menor grau. 

Rádio Batente – 1ª temporada (jornadas)

O podcast Rádio Batente é um projeto da ONG Repórter Brasil. Analiso a primeira temporada, em que é mostrado um dia na vida de um servidor público (ou trabalhador terceirizado) que atua em segmentos considerados essenciais, tendo como personagens um professor atuante na rede pública; uma assistente social que trabalha em uma casa de acolhimento para homens em situação de rua; uma dupla de profissionais da saúde (uma enfermeira e um agente comunitário de saúde), vinculados à uma Unidade Básica de Saúde; uma cobradora de ônibus e, por fim, um bombeiro. Aqui, um aspecto interessante a ser ressaltado é que o programa faz um contraponto sobre esse cotidiano antes e durante a pandemia, trazendo os reflexos da crise sanitária a partir da vivência desses trabalhadores.

Identidade sonora do podcast

*Por: Carolina Salles Carvalho

A audição é tão importante que é o primeiro dos sentidos que o feto desenvolve por volta da 18ª semana da gestação. Primeiro, ele ouve o coração da mãe e, em um momento posterior, aprende a reconhecer a voz materna. Ao longo da vida, vamos criando um repertório sonoro nosso, que, ao mesmo tempo, tem referenciais compartilhados socialmente.

Fui longe para falar da importância que o som tem na nossa vida e como ele pode ajudar a contar uma história. Pessoalmente, acredito que algumas trilhas são tão marcantes quanto os personagens de um filme, por exemplo. Por isso, na última semana, tivemos uma reunião para compartilhar as expectativas em relação à trilha para o podcast da Rede Amparo, com a presença dos docentes Eduardo Vicente (ECA) e Maria Elisa Pimentel Piemonte (FM/USP) , além da jornalista Thais May Carvalho.  

Ao pensar no podcast como um todo, a ideia é trazer a esperança de uma maneira não verbal. Ao mesmo tempo, questões biográficas dos personagens foram discutidas para ajudar na escolha de trilhas que pudessem ser associadas a eles. Um dos pontos em pauta foi a importância de incluir pessoas de todo o país no podcast, em consonância com a proposta da Rede Amparo, sendo que essa pluralidade regional também precisaria estar presente na identidade sonora do projeto. Também validamos a possibilidade de usar criações originais de músicos que pudessem ceder os direitos autorais para o podcast, em uma troca benéfica para todas as partes.

Da teoria à empiria: um exemplo na literatura acadêmica

*Por: Carolina Salles Carvalho

Depois de me aprofundar no conceito de interseccionalidade e compreendê-lo no contexto da comunicação, busquei artigos que trouxessem exemplos de como esse alicerce teórico foi usado para a compreensão de produtos midiáticos. Destaco aqui, um dos artigos encontrados, escolhido por fazer uma leitura de um episódio de podcast, mídia que também é tema do meu primeiro artigo em construção, usando a interseccionalidade como teoria de apoio.  

Em um artigo sobre maternidade e feminismo interseccional, produzido a partir do podcast Mamilos, foi feita a análise de um episódio em particular, intitulado “Mães e Tabus”, publicado em maio de 2018 e com duração de uma hora e quarenta minutos. Nele, as apresentadoras do programa convidam duas mães e ativistas em direitos humanos – uma negra e outra branca – para debater pontos considerados espinhosos sobre o tema.

O recorte escolhido para essa publicação partiu do caminho metodológico trilhado por uma das autoras para a produção da sua dissertação de mestrado. No trabalho acadêmico original, ela ouviu a todos os episódios do podcast, atentando-se para temáticas e situações que se repetiam, sendo que, por fim, escolheu como objeto de estudo seis que abordavam, especificamente, a maternidade.

Durante todo o artigo, são destacados, majoritariamente, trechos ditos pela convidada negra, entremeados por citações de autoras que são referência na produção acadêmica sobre gênero, na luta feminista e, num afunilamento, para o movimento feminista negro, como María Lugones, Judith Butler e Audre Lorde.

Dentre os temas apresentados estão violência intrafamiliar, conflitos geracionais, assédio sexual, abandono parental, sobrecarga de funções relacionada à maternidade, desumanização da mulher negra e erotização das garotas negras. Também ganha destaque no episódio, a importância de orientar as meninas para o enfrentamento do machismo e do racismo desde muito cedo, em um equilíbrio tênue que tenta, concomitantemente, preservar a ingenuidade da infância e prepará-las para as violências cotidianas relacionadas a estas duas searas.

Embora tenha sido pautado em um único episódio, é interessante compreender que escolhas metodológicas são realizadas para o estudo de podcast, a partir da teoria da interseccionalidade.

Identidade visual e hospedagem do podcast

*Por: Carolina Salles Carvalho

 Um podcast é feito da soma de algumas vozes, mas ele também tem uma identidade visual. Para criar a capa do Vivo com Parkinson, priorizamos inserir o nome do podcast explicitamente no logotipo, e, diante da dimensão diminuta da arte, fazer uma referência à rede Amparo por meio da inserção parcial do símbolo do @ sendo abraçado pela mão, que é a marca do projeto. Além disso, diferentes tons de azul predominam na criação, que leva a assinatura da designer Sara Muller, colaboradora do CEPID NeuroMat.

Outra questão que também foi resolvida recentemente foi a  da hospedagem do podcast, com a criação de uma conta no Anchor. Essa plataforma gratuita pode ser usada para gravar e editar áudios para podcasts, bem como organizar o material criado. No nosso caso, vamos lançar mão desse recurso para publicar os episódios, simultaneamente, em outras plataformas e acompanhar a performance do podcast por meio dos dados disponibilizados.

Nesse contexto, também foi criado um texto de apresentação para o podcast, salientando a proposta de valorizar as histórias das pessoas que vivem com Parkinson, bem como informar sobre a autoria do projeto, relacionando-o ao CEPID NeuroMat e à Rede Amparo, e informando o apoio da FAPESP.