Nos vemos por aí :)

Por Fernando Sabatini

Finalmente, 14 meses depois do meu primeiro post aqui no Traço de Ciência, chegou a hora da despedida. No encerramento da minha bolsa, fecho uma semana importante de conclusões, relatórios, posts, conversas, celebrações e, como não poderia faltar, um pouco de ciência e difusão.

Uma reflexão com a devida profundidade sobre o quanto eu aprendi nesse período no NeuroMat exigiria outro formato, com muitas milhares de palavras, então espero fazer isso em outro momento. Pra todos da equipe do instituto, meus mais sinceros agradecimentos por tanto aprendizado, trabalho colaborativo e afeto. À FAPESP, muito obrigado!

Na frente de trabalho do Facebook do NeuroMat, foram 24 posts publicados na série “Black Box of Science”, totalizando (até o momento) 3.256 visualizações, segundo os dados de desempenho da rede social. Fico particularmente feliz com o fato de que o post inaugural, Waltz in the dark, siga sendo o mais lido: 

Interessante notar que quase metade das visualizações foram de usuários que não são seguidores da página, o que sugere um bom alcance além das pessoas que já conheciam o NeuroMat. Isso aumenta minha satisfação de lembrar o contexto de produção desse primeiro texto — as primeiras reuniões presenciais com a equipe de Difusão do NeuroMat, o primeiro trabalho colaborativo com o artista Vannie Gama (que veio a se tornar um grande parceiro nessa jornada), as idas e vindas entre arte, ciência e escrita, com suas fronteiras opacas.

No Traço de Ciência, pude contribuir com algumas reflexões que me acompanharam durante o trabalho no instituto, mas também com alguns textos mais expositivos sobre temas que julguei interessante compartilhar nesse formato. Aparentemente, alguns alcançaram um bom número de pessoas, o que vou assumir como um sinal de que a decisão foi acertada!

O post Cérebro e cognição: o que é top-down e bottom-up? foi um dos que mais gostei de elaborar e, curiosamente, é meu texto mais lido, mesmo tendo sido publicado já em fevereiro de 2026: foram 86 visualizações desde então.

Por enquanto, encerro minhas postagens por aqui. Uma das heranças que o Neuromat me deixa é a vontade de seguir colaborando com a difusão de uma cultura científica, nesse ou em outros formatos. (de preferência nesse, que eu tanto gosto).

Sentado em uma cadeira confortável, como tantas vezes eu li em artigos do NeuroMat e fiz ecoar nos posts que elaborei, sentado em uma cadeira confortável eu espero voltar em breve a publicar alguns textos pra quem tem interesse em cérebro, ciência e a vida de quem trabalha com pesquisa científica.

Ah, o Traço de Ciência segue sendo um desses grandes tesouros que o NeuroMat deixa como legado para o nosso país. Tenho certeza que isso vai ser cada vez mais reconhecido ao longo do tempo. Então, não deixem de explorar esse mundo de vozes que fica aqui registrado, com as quais tanta coisa a gente pode aprender. É o que vou seguir fazendo.

Pra quem quiser seguir acompanhando meu trabalho, uma pesquisa rápida vai mostrar algumas opções. 

Até mais, pessoas. Obrigado por tudo!

Ouça todos os episódios do podcast “A Matemática do Cérebro”

Por Felipe Parlato

Já estão disponíveis todos os episódios da quarta temporada do podcast A Matemática do Cérebro. Confira abaixo os links e a sinopse de cada um deles. Todos os episódios também podem ser ouvidos no site oficial do programa.

1 – Samba, Valsa e o Cérebro Estatístico

Fazemos estatística para entender o mundo. Seja durante o trânsito ou ouvindo música, nosso cérebro está o tempo todo realizando pequenas predições com base no ambiente ao nosso redor. É com base nessa ideia que um grupo de pesquisadores do CEPID NeuroMat realiza seus experimentos — é a linha de pesquisa do Cérebro Estatístico. Neste episódio, falam sobre o assunto Cláudia Vargas e Fernando Najman. Eles publicaram, em 2025, um estudo que busca entender como o cérebro detecta padrões em batidas musicais.

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2 – Árvores de contexto, futebol e o Jogo do Goleiro

O Jogo do Goleiro foi idealizado e desenvolvido no NeuroMat a partir de 2014, inspirado pela Copa do Mundo que acontecia no Brasil naquele ano. Disponível em código aberto, a ferramenta tem como objetivo a coleta de dados sobre a capacidade do nosso cérebro de detectar padrões. Neste episódio, Cláudia Vargas e Paulo Cabral-Passos abordam a ferramenta a partir de um estudo, realizado à distância durante a pandemia, que trabalhou com os dados dos tempos de resposta dos participantes.

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3 – Lesão do plexo braquial

O plexo braquial é uma estrutura de nervos que sai da medula espinhal, na altura do pescoço, e desce pelo ombro e pelo braço, sendo responsável pelas funções de movimento e sensibilidade dessas partes do nosso corpo. Lesões nessa região comuns após acidentes de moto, além de comprometer a sensibilidade e o movimento, estão fortemente associadas à dor crônica. Neste episódio, Fernanda Figueiredo Torres e Cláudia Vargas falam sobre o estudo que buscou entender as mudanças nas funções sensório-motora na face e na mão associadas a essa lesão e sua relação com a dor crônica.

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4 – Um índice para detectar instabilidade postural na Doença de Parkinson

A detecção precoce da doença de Parkinson é essencial para que seja possível retardar algumas das complicações decorrentes dela. A instabilidade postural é um dos sintomas que costumava ser associado a estágios intermediários da doença, mas estudos recentes mostram que ela pode ser detectada, de forma mais sutil, também nos estágios iniciais, auxiliando no diagnóstico. Maria Elisa Pimentel Piemonte e Gabriel Venas (in memorian) falam sobre um índice capaz de detectar, a partir de análises feitas utilizando um software livre, instabilidade postural precoce em pacientes com Doença de Parkinson.

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5 – Uma plataforma de estimulação magnética transcraniana

Uma das principais técnicas de estimulação cerebral, a estimulação magnética transcraniana foi criada pelo britânico Anthony Barker na década de 80. Ela foi descrita inicialmente em 1985 na forma de carta ao editor da revista americana The Lancet e, de lá para cá, tem se desenvolvido cada vez mais, não só como ferramenta de pesquisa, mas também de diagnóstico e tratamento de doenças neurodegenerativas, como a Doença de Parkinson, e distúrbios psiquiátricos como depressão e esquizofrenia. Quase quarenta anos depois dessa publicação inicial, o mesmo formato de carta ao editor foi adotado por pesquisadores do CEPID NeuroMat para descrever uma plataforma robótica desenvolvida para aplicar, de maneira confortável, acessível e automatizada, a essa mesma técnica. Dois dos autores, Victor H. Souza e Oswaldo Baffa, diretor do NeuroMat, falam sobre o assunto.

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6 – Criticalidade e a arquitetura dos nossos neurônios

Na física, o chamado ponto crítico é aquele ponto limite entre transições de fase — onde a água líquida e gasosa existem simultaneamente, por exemplo. No nosso cérebro, a atividade das nossas redes de neurônios tende a se manter também em um ponto crítico. Nem ativas demais, como em um ataque epiléptico, nem ativas de menos, como no caso de um coma. Um estudo realizado por pesquisadores no CEPID-NeuroMat, usando simulações computacionais de redes de neurônios, mostrou que a arquitetura das nossas redes — a forma como elas se organizam — tem um papel importante em fazer com que o nosso cérebro se mantenha em estado crítico. No episódio de hoje, os autores Antonio C. Roque e Flavio Rusch comentam o artigo, publicado na revista communications physics.

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Um artigo sobre o podcast Ciência Suja

Por Felipe Parlato

Nesta semana submeti, enfim, o artigo acadêmico que foi fruto das minhas pesquisas no CEPID NeuroMat. O percurso foi longo, em especial no que diz respeito à delimitação do escopo da pesquisa e definição da bibliografia. Foram muitas reuniões de orientação, trocas de ideias com colegas e leituras até chegar na proposta que desembocou na versão final do artigo: uma análise de conteúdo de episódios do podcast Ciência Suja, cujo co-criador, Theo Ruprecht, eu entrevistei lá em janeiro.

Utilizei a entrevista como base para definir as categorias de análise, que foram elaboradas a partir de unidades de registro — todas frases — retiradas dela. A partir daí, escutei alguns episódios do podcast e separei três que julguei interessantes para discussão e representativos do podcast como um todo. O espaço da revista era curto (15 páginas, no máximo), o que me forçou a reexaminar as categorias diversas vezes, criar subcategorias, desfazê-las etc, até chegar a uma versão satisfatória para iniciar a discussão. 

O mais interessante da experiência de pesquisa, para mim, foi perceber como as diversas referências teóricas com as quais tomei contato durante esse pouco mais de um ano foram aos poucos convergindo durante o processo de escrita do artigo. Questões como difusão sincrônica, ciência aberta, e plataformização, ainda que não referenciadas diretamente no artigo por falta de espaço (você sempre acha que vai sobrar espaço, até faltar), foram uma base importante para eu pensar o assunto.

Questões mais amplas relacionadas à filosofia da ciência e conceitos de difusão científica como espiral da cultura científica e caixa-preta da ciência entraram de maneira mais direta. A parte de contação de histórias, que era central na minha ideia inicial para a pesquisa, acabou perdendo espaço por destoar das outras categorias, “temas”, que eu buscava discutir. Na parte da método, escolhi a análise de conteúdo por entender que ela funciona bem em trabalhos qualitativos comparativos.

O artigo foi submetido à revista Iniciacom e deve ser revisado nos próximos meses. Até pela natureza da própria publicação — voltada a pesquisadores iniciantes — espero um feedback bacana para que eu possa aprimorar o trabalho. De qualquer forma, estou feliz de ter tido uma primeira experiência de submissão de artigo para periódico.

Obrigado pela leitura. Amanhã tem o post de encerramento da minha trajetória no NeuroMat.

Seguimos!

Estratégia para mídias sociais: o que chama atenção no perfil da UFSC no Instagram?

Por Fernando Sabatini

Fechando a série de posts sobre minha pesquisa teórica, trago aqui dois breves comentários a partir dos achados da minha análise. Para quem chegou agora, falei aqui sobre minha pesquisa teórica do último ano, na qual investiguei estratégias de comunicação científica institucional de universidades públicas brasileiras no Instagram. 

Meu método, que apresentei brevemente no post citado e em outros, foi baseado na análise de conteúdo (Bardin, 2011) nos moldes aplicados por Fernandes e Farnese (2020), que inspiraram meu trabalho. Explicado de maneira simples: 

  1. selecionei 30 posts de cada uma das oito universidades em um mesmo intervalo temporal
  2. analisei individualmente os 240 posts para agrupá-los em 3 categorias (administrativo, institucional e ciência)
  3. analisei a estratégia com base na distribuição das postagens entre essas categorias
  4. calculei o engajamento de cada categoria e cada universidade, considerando o número de likes médio nesses posts proporcionalmente ao número de seguidores da página.

Um breve comentário sobre esse cálculo é a conclusão do estudo: a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi a que alcançou maiores números proporcionais de engajamento por post e, interessante notar, é a que apresenta distribuição mais equilibrada dos posts entre as três categorias. 

Se o índice de engajamento for de fato capaz de influenciar o sucesso da página em termos de interação do público, o que os dados nos mostram é que dosar bem as postagens entre comunicação da ciência, comunicação institucional e comunicação administrativa pode ser uma fórmula interessante.

Contudo, meus posts anteriores trazem uma ressalva que precisa ser considerada. Afinal, fatores desconhecidos podem influenciar esse desempenho. Portanto, os dados podem inspirar análises mais complexas, mas de forma alguma são determinantes para avaliar o sucesso da estratégia de comunicação da UFSC na página.

Outro ponto que merece atenção é o número de seguidores. USP e Unicamp, por exemplo, tinham números bem maiores: mais de 520 mil e mais de 330 mil, respectivamente, enquanto a UFSC tinha cerca de 177 mil no momento da coleta de dados. 

Inicialmente, imaginei que isso poderia favorecer um número maior de interações com essas páginas — algo que não ocorreu. De fato, os números proporcionais dizem outra coisa.

Minha conjectura para explicar esse resultado considera dois pontos. Primeiro, é possível que a frequência de postagens, muito mais alta nessas duas páginas, talvez faça com que os usuários não interajam com todos os conteúdos, dados que são postagens mais longas e assuntos complexos, sobretudo quando abordam pesquisas científicas. Se for o caso, é esperado que o algoritmo não impulsione as postagens com menos interações e, assim, a média seja mais baixa.

Segundo: o grande volume de seguidores pode significar um histórico mais longo de atuação na mídia social, o que traz consigo a possibilidade de ser um índice inflado. Quero dizer que muitos seguidores antigos podem ter abandonado o uso da mídia social ou desengajado nos conteúdos da página, tornando o número de seguidores significativamente mais alto do que o número de pessoas que de fato visualiza postagens dessas universidades.

Esse índice, na prática, jogaria contra a média de engajamento proporcional. Trata-se de um desafio que estudos futuros precisam encarar: como mensurar o sucesso de uma página no engajamento — segundo esses parâmetros quantitativos — tendo em mente a lógica do algoritmo e esses efeitos diversos.

O artigo deve sair em breve e nele trago mais algumas reflexões sobre essas estratégias. Fico à disposição de quem quiser contribuir com a discussão!

Um abraço, pessoal!

Terceiro episódio da nova temporada de “A Matemática do Cérebro” no ar!

Por Felipe Parlato

Está no ar o terceiro episódio da nova temporada do podcast “A Matemática do Cérebro”!

O programa já está disponível no YouTube e nos principais tocadores, e em breve estará disponível também em https://podcast.numec.prp.usp.br/.

Confira abaixo:

O plexo braquial é uma estrutura de nervos que sai da medula espinhal, na altura do pescoço, e desce pelo ombro e pelo braço, sendo responsável pelas funções de movimento e sensibilidade dessas partes do nosso corpo. Lesões nessa região comuns após acidentes de moto, além de comprometer a sensibilidade e o movimento, estão fortemente associadas à dor crônica.

Neste episódio, Fernanda Figueiredo Torres e Cláudia Vargas falam sobre o estudo que buscou entender as mudanças nas funções sensório-motora na face e na mão associadas a essa lesão e sua relação com a dor crônica.

Spotify | Apple Podcasts | Site oficial do podcast 

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