A escrita de um artigo de divulgação científica

* Por Miréia Figueiredo

Na reunião da equipe de difusão dessa semana (17/06), tivemos a presença do diretor do NeuroMat, Antonio Galves e da pesquisadora principal, Claudia Vargas. Ambos escreviam um artigo de divulgação científica sobre a conjectura do cérebro estatístico e apresentaram algumas das dificuldades de explicar um conceito complexo em termos inteligíveis para o grande público.

Nós, da área da comunicação, pudemos participar desse processo dando algumas sugestões de termos que podiam ser substituídos sem que houvesse grande alteração no sentido da frase e ajudando a construir períodos mais simples. Foi uma reunião bem diferente do que costumamos fazer, mas bastante ilustrativa sobre o dilema: explicar um conteúdo de forma simplista/reducionista x explicar um conteúdo de forma muito técnica.

Além disso, foi mais uma oportunidade de conhecermos em detalhes o projeto fundador do NeuroMat, o modelo matemático para redes de neurônios, no qual a probabilidade de disparos futuros depende da evolução total do sistema desde o último disparo.

Ajustes técnicos no curso da Wikiversidade

*Por Miréia Figueiredo

Nessa semana, tive uma reunião com João Peschanski e Éder Porto para discutirmos algumas questões pendentes do curso de Introdução ao Jornalismo Científico da Wikiversidade. Nos próximos dias, eu e Éder nos ocuparemos em entender bugs em determinadas ações e repensar o design de algumas páginas.

Também ficarei responsável pela descrição do programa do curso, indicando os tópicos abordados em cada aula e os colaboradores. Como, por exemplo, no módulo 1, que tive ajuda de Fernando da Paixão, Osame Kinouchi e Daniel Takahashi para a elaboração do conteúdo.

Éder será encarregado de desenvolver um sistema que ateste a conclusão das atividades feitas pelos estudantes. Será gerado um relatório indicando os dados do estudante inscrito e as respostas de cada tarefa.

O papel do jornalismo científico no combate à desinformação

Foto retirada do site oficial da Intercom

*Por Miréia Figueiredo

Como expresso no meu projeto de ingresso ao CEPID NeuroMat, redigiria um artigo e submeteria a um congresso como parte das atividades da bolsa. Esta etapa foi concluída nesta semana, quando enviei meu artigo “O papel do jornalismo no combate à desinformação científica: uma revisão de literatura” ao Congresso Nacional do Intercom.

A evolução da pesquisa foi contada aqui no blog: desde a definição da questão norteadora passando pela busca através de palavras-chave de artigos relacionados ao tema até a elaboração da síntese do conhecimento. Eu e Fernanda disponibilizamos os dados utilizados, ou seja, os artigos que basearam a revisão de literatura no seguinte link: https://doi.org/10.5281/zenodo.4079409.

A comunicação dos aceites de trabalho acontece no dia 02/11. E, caso eu e Fernanda sejamos aceitas, apresentamos os nossos artigos entre os dias 1 e 10 de dezembro.

Eduardo Vicente situa a produção de podcasts no Brasil

*Por Miréia Figueiredo

Na última reunião da equipe de difusão (24/09), o professor da ECA/USP e investigador associado do NeuroMat, Eduardo Vicente, apresentou um panorama sobre podcasts no Brasil. O consumo nacional ocupa a segunda posição entre os maiores consumidores do formato no mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos.

Partindo de uma contextualização histórica sobre a criação desse modelo de negócio – atribuída ao antigo VJ da MTV Adam Curry –, Vicente indicou dados sobre a situação atual do mercado. Trata-se de uma área em ascensão que, ano após ano, aumenta seu público (majoritariamente, jovem).

Um aspecto que me chamou atenção durante a fala do convidado foram as especificidades do podcast em relação ao rádio. Além disso, fiquei interessada nos diferentes gêneros que podem ser explorados no formato mais novo, podendo variar de uma linguagem narrativa até uma mais técnica.

Os podcasts, ao contrário do rádio que se comunica com um grande público, são um veículo de nicho. Isso explica os mais diversos assuntos abordados por eles. Não consideram uma barreira espacial, como as ondas radiofônicas que alcançam até determinado limite, e por isso podem ser consumidos por um público espalhado em diferentes regiões.

Para muitos, manter-se informado por podcasts têm sido um alívio para o consumo constante de conteúdo através de telas. O formato permite a aproximação de ouvintes e apresentadores e também abre espaço para discussões mais aprofundadas sobre determinados temas.

O tempo dos podcasts parece se diferenciar do tempo da leitura de textos na internet, por exemplo, que segue uma agilidade constante. A apresentação de Vicente iniciou uma conversa sobre o podcast de divulgação científica do NeuroMat, A Matemática do Cérebro, que se encaminha para sua segunda temporada.

Divulgação científica no Brasil pelo olhar dos cientistas

*Por Thais May Carvalho

A partir da leitura de artigos sobre a divulgação científica (DC) no Brasil, é possível perceber que existe uma insatisfação sobre a sua qualidade. Uma pesquisa feita em 2016 por Luisa Massarani e Hans Peters com quase mil cientistas brasileiros mostra a perspectiva desses profissionais acerca da DC no país e da sua interação com jornalistas da área.

De forma geral, os entrevistados concordam que os cientistas devem comunicar suas pesquisas de forma interessante e que seja compreensível para todos, podendo até fazer paralelos entre a sua pesquisa e a vida das pessoas. Além disso, eles acreditam que, por conta do conhecimento que possuem, devem opinar sobre as decisões (sejam elas políticas, econômicas, entre outras) que tenham relação com a sua área.

Apesar de dizerem nesse estudo que não gostam de dedicar muito tempo aos jornalistas, como um todo, os cientistas avaliam sua interação com os mesmos de uma forma positiva e, em sua maioria, acham que a cobertura da imprensa sobre sua pesquisa tem um efeito positivo sobre ela. 

Eles também afirmam que deveriam ser consultados antes da publicação da matéria que participaram para evitar erros. Além disso, eles gostariam que os repórteres evitassem o comprometimento das informações, que a mídia ajudasse na educação científica da população e que, além dos resultados das pesquisas, também fossem mostrados os métodos e processos científicos, para que as pessoas pudessem compreender as razões pelas quais a ciência é feita. No entanto, os pesquisadores acreditam que nenhuma dessas expectativas é atendida pelas atividades de DC no Brasil e que a cobertura sobre ciência não é precisa.

Outro dado interessante apontado pela pesquisa de Massarani e Peters é o da relação do cientista com o público geral. Os entrevistados acreditam que quanto maior o conhecimento das pessoas, mais positiva é a sua atitude em relação à ciência, por isso eles dizem que se comunicar com o público, tratando-o como igual, é uma parte importante do dever científico. No entanto, ao contrário do desejo da população de participar das decisões científicas, como foi apontado na pesquisa “Percepção Pública da C&T no Brasil”, os cientistas rejeitam a ideia do público ter algum tipo de poder no que diz respeito à política relacionada à ciência.

Referência Bibliográfica: MASSARANI, Luisa; PETERS, Hans. Scientists in the public sphere: Interactions of scientists and journalists in Brazil. Anais da Academia Brasileira de Ciências, v. 88, n. 2, p. 1165-1175, 2016.